Para conquistar uma Copa do Mundo é necessário passar por uma série de batalhas. No entanto, jogadores – e até mesmo seleções inteiras – já levaram isso ao pé da letra, deixando a bola em segundo plano e saindo na porrada.
Se você não concordar ou lembrar de outro momento em que o fair play ficou de lado, comente abaixo e deixe a sua opinião
Depois de eleger as melhores defesas, os pernas de pau, os frangos inesquecíveis e as finais mais marcantes, o Correio do Povo continua a série especial sobre Copa do Mundo apresentando cinco jogos em que o futebol foi deixado de lado para se transformar em outros esportes, como boxe, karatê ou luta livre mesmo. Azar é do fair play.
Clique abaixo e confira cinco jogos memoráveis:
5º lugar - Batalha do 4 de julho
Estados Unidos 0 x 1 Brasil - 04/04/1994
O jogo não foi uma pancadaria, longe disso, mas o lance em si, sim. Partida complicada: Brasil x Estados Unidos, em pleno 4 de julho (dia da independência do país) pelas oitavas de final da Copa de 1994. Donos da casa e empurrados por mais de 80 mil torcedores, os americanos queriam surpreender a então tricampeã mundial.
Se o jogo estava complicado para o Brasil, ficou mais ainda quando Leonardo, em um lance desnecessário - até mesmo fora das quatro linhas -, acertou uma violenta cotovelada em Tab Ramos, aos 42 minutos. Cartão vermelho! Menos mal que a parceria Bebeto & Romário deu certo e garantiu a magra vitória de 1 a 0 para o Brasil, capitaneado por Dunga, que dali a poucos dias levantaria o troféu de campeão do mundo.
4º lugar - Batalha à milanesa
Alemanha 2 x 1 Holanda - 04/06/1990
Carrinhos, faltas duras e muitas consoantes. Nesse clima pesado, Alemanha e Holanda disputaram uma das oitavas de final da Copa do Mundo de 1990, na Itália. Era o terceiro encontro entre as duas seleções em Mundiais e os holandeses vieram para tentar quebrar a invencibilidade dos rivais. Não conseguiram: levaram 2 a 1 e se despediram da Itália.
Ao longo do jogo, foram cinco cartões amarelos e duas expulsões - uma para cada lado. Mas nem o cartão vermelho botava fim na disputa. Logo depois de serem mandados para o chuveiro mais cedo, Frank Rijkaard desferiu uma senhora cusparada em Rudi Voller, exaltando a rivalidade entre as duas representações.
3º lugar - A Batalha de Nuremberg
Portugal 1 x 0 Holanda - 25/06/2006
A pancadaria, ops, a partida entre Portugal e Holanda pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2006 é lembrada pela alcunha "Batalha de Nuremberg". Pudera, carrinho pouco foi bobagem nesse confronto. O árbitro apresentou nada menos que 12 cartões amarelos e quatro vermelhos em 90 minutos. Os lusitanos, treinados por Felipão, se deram melhor: 1 a 0.
2º lugar - A Batalha de Berna
Hungria 4 x 2 Brasil - 07/06/1954
Brasil e Hungria, em 1954, tinham duas seleções aptas a realizar um grande jogo, pelas quartas de final. De certa forma até foi, principalmente para eles, que ganharam por 4 a 2. Ao longo dos 90 minutos, três expulsões: para Nilton Santos e Boszik, que trocaram socos e Humberto Tozzi, por ter desferido um pontapé em Kocsis - que terminou artilheiro deste mundial - pelas costas. Mas o pior ficou para depois do apito final.
A essa altura, o juiz havia expulsado Nilton Santos e Boszik, que trocaram socos e Humberto Tozzi por ter desferido um pontapé em Kocsis pelas costas. No final da partida, a confusão se acentuou. Maurinho cuspiu em Koscis e levou um soco como retribuição. Zezé Moreira foi provocado por um dirigente húngaro que recebeu as chuteiras do Didi na cara lançadas pelo nosso treinador, Zezé Moreira.
1º lugar - A Batalha de Santiago
Chile 2 x 0 Itália - 02/06/1962
Esse foi um jogo que começou antes mesmo de a bola rolar. Dias antes, até, quando dois jornalistas italianos fizeram duras críticas à estrutura da cidade, além de questionar, digamos assim, a moralidade das mulheres chilenas. Detalhe: o Chile foi o anfitrião desta Copa. Os textos fizeram com que os chilenos ficassem (bem mais) dispostos a defender seu país. E eles partiram para o ataque, literalmente.
Na conta de cartões, a Itália ganhou, teve dois expulsos: Giorgio Ferrini e Mario David. David foi para o vermelho, pois acertou uma voadora no pescoço do chileno Leonel Sánchez. Por sua vez, Sánchez, filho de um boxeador, tinha quebrado o nariz de Umberto Maschio minutos antes. No placar, porém, os chilenos é que se deram melhor: 2 a 0 e mandaram os incômodos visitantes de volta para o outro lado do Atlântico.
Honra ao mérito: Zidane, l'entêté
Itália 1 (5) x 1 (3) França
Esse não poderia faltar, claro. Final da última Copa do Mundo, entre França e Itália, jogo empatado e segundo tempo já rolando. A bola não estava nem no lance, quando Zidane acerta uma cabeçada em Materazzi, que teria xingado a irmã do camisa 10 francês. O lance foi o derradeiro da carreira de Zidane, que se aposentou após a Copa, com derrota, porque seu país ainda levou a pior nos pênaltis e não conquistou o bi.
De sola no fair play!
Na série sobre a Copa, CP lembra momentos em que o futebol ficou de lado e a pancadaria tomou conta do gramado