Copa do Mundo

Do campo de areia para a Copa do Mundo: a trajetória de sucesso do artilheiro colombiano Luis Suárez

Aos 28 anoso jogador fará sua estreia no Mundial em junho

O atacante do Sporting se tornou fenômeno nacional em setembro do ano passado
O atacante do Sporting se tornou fenômeno nacional em setembro do ano passado Foto : Divulagação Federação Colombiana de Futebol / CP

Nos campos de areia do Caribe, os mesmos que moldaram vários dos maiores artilheiros do futebol colombiano, Luis Suárez se destacou desde muito jovem devido à sua potência física. Forjado nos campinhos de várzea acidentados de Santa Marta, o atacante do Sporting, hoje com 28 anos, se prepara para fazer sua estreia em Copa do Mundo.

Quando menino, o talento de Suárez lhe rendeu uma bolsa de estudos em uma das melhores escolas da cidade. Em entrevista à AFP, o pai do jogador, Javier Suárez, diz que o filho tinha “fome de vencer na vida.” Aos 49 anos, ele exibe com orgulho as camisas dos clubes que o filho defendeu. “Se não fosse pelo futebol, [Luis] não sabe o que teria feito. Seu primeiro amor sempre foi o futebol”, acrescenta emocionado.

Suárez é a principal arma ofensiva, ao lado de Luis Díaz e James Rodríguez, da seleção comandada pelo técnico argentino Néstor Lorenzo, na preparação para a Copa do Mundo. Os colombianos vão enfrentar o Uzbequistão, a República Democrática do Congo e Portugal na fase de grupos. Eles chegarão à América do Norte com preocupações em relação à falta de minutos e de ritmo no Minnesota United de James, sua figura-chave e capitão.

Malandragem das ruas

Valmiro Viana, gerente do Versalles Fútbol Club, escolinha que revelou Suárez, está convencido de que as condições dos campos em que o jogador treinava na juventude moldaram sua destreza como artilheiro. “Há uma certa malandragem única da nossa região que é diferente das demais, que vem do jogo nas ruas”, diz ele, referindo-se ao jogador “que aprende o jogo superando obstáculos”. Ao fundo, seus atuais alunos treinam em um campo pelo qual transitam constantemente carros e motos.

Desde sua chegada a Lisboa, em julho, Suárez marcou 34 gols. Seja de cabeça, de pênalti, com o pé esquerdo ou com o direito, ele é uma sensação em Portugal. Apenas Harry Kane (33), do Bayern de Munique, marcou mais gols considerando as cinco principais ligas da Europa. Kylian Mbappé, do Real Madrid, e Erling Haaland, do Manchester City, somam 24 gols cada, um a menos do que o atacante colombiano.

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Tradição colombiana

Esta será a terceira Copa do Mundo consecutiva em que a Colômbia participa com um centroavante oriundo da região do Caribe. Em 2014, foi Teófilo Gutiérrez e em 2018, Radamel Falcao García, nascido em Santa Marta, embora tenha crescido longe da cidade antes de se tornar o maior artilheiro da história da seleção colombiana, com 36 gols.

Depois que "El Tigre" deixou de ser convocado, vários atacantes surgiram como candidatos para substituí-lo na seleção mas nenhum conseguiu realmente se firmar na posição. Agora, Suárez também carrega o peso de ter que corresponder a esse padrão.

O jogador deixou o clube onde foi revelado ainda adolescente para iniciar uma breve passagem pelo Itagüí Leones, perto de Medellín. Rapidamente, deu o salto para a Espanha, onde atuou por clubes como Granada, Zaragoza e Almería, além de ter tido uma curta passagem pelo francês Olympique de Marselha.

Ídolo local

Graças ao destaque de Luis Suárez na seleção, as crianças da região “viram que é realmente possível”, diz o pai. Alejandro, o irmão mais novo de 13 anos, também joga no Versalles e veste a camisa número 9. O status de ídolo, porém, é relativamente recente.

Em seu país natal, e até mesmo em sua própria cidade, Suárez só começou a ser amplamente reconhecido em setembro passado, quando marcou quatro gols contra a Venezuela durante a rodada final das Eliminatórias Sul-Americanas. Esse feito havia sido alcançado anteriormente por apenas outros cinco jogadores, incluindo os astros brasileiros Zico e Romário, e seu homônimo uruguaio, Luis Suárez.

Antes disso, ele costumava caminhar tranquilamente por Santa Marta, conhecida como a "Pérola do Caribe”, sem ser reconhecido. Viana recorda que, antes de atingir seu atual nível de fama, ele se presentava com partidas de bilhar ao lado de seu avô, o mesmo homem que costumava levá-lo aos treinos de bicicleta quando ele era criança.

O atual técnico do Versalles, Óscar Vides, cresceu ao lado de Suárez na escola. Um jogava como atacante, o outro, como zagueiro. Apenas o artilheiro conseguiu realizar o sonho de se tornar um jogador de futebol profissional. “Alguns de nós ficaram pelo caminho”, diz o técnico de 30 anos. Mas ele acrescenta: “dá uma alegria” ver o sucesso de um jogador que surgiu de “um campinho de areia exatamente como este”.