Pesaro ressalvou, no entanto, que a bancada tucana ainda não discutiu o assunto. Questionado sobre o fato de o PSDB ser da base, ele disse que sua posição era uma “questão de princípios”. O vereador Aurélio Miguel (PR), outro membro da CCJ, comparou a situação do Itaquerão com a Arena Palestra Itália, do Palmeiras. "Lá foi tudo feito na raça, não teve incentivo nenhum. São Paulo não tem R$ 420 milhões para jogar no lixo."
Tanto Miguel quanto Pesaro são favoráveis a investimentos de infraestrutura na região, como Metrô e creches. O presidente da subcomissão da Copa, Paulo Frange, segue a mesma linha. O vereador afirmou que não há nada previsto no projeto sobre como o clube deverá retornar à cidade o incentivo. "O Corinthians poderá negociar os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), mas aí já começam alguns problemas. Existe a possibilidade de disponibilizar esse incentivo fora da área do perímetro de Itaquera, mas eu sou contrário a isso", disse Miguel.
Frange defende a ideia do incentivo fiscal para a região de Itaquera. "O local tem um polo industrial e espera isso desde 2007. A oportunidade agora é pegar carona com o Corinthians", analisou. Segundo Frange, o projeto causou mal-estar entre os vereadores. "Eu não esperava por tudo isso, me assustei muito quando vi. Quero refletir e discutir sobre como podemos aprimorar o projeto. Do jeito que ele veio, o mal-estar na Câmara é grande. Não podemos misturar essa atividade com a paixão pelo futebol."
Quebra de promessa
O vereador Chico Macena (PT) diz ser contra o projeto que prevê incentivo fiscal. Na opinião dele, a prefeitura de São Paulo está quebrando a promessa de que não seria usado dinheiro público para a obra. "É dinheiro do município, dos cofres municipais. Dinheiro que é pra saúde, educação, transportes. É daí que vai sair. Não tem outra conta a ser feita. Sou a favor do desenvolvimento da zona Leste, mas ali tem uma série de outras alternativas, inclusive de empresas que já estão instaladas lá há algum tempo, e que não tiveram incentivo algum."
Trâmite
Depois da leitura do projeto na sessão ordinária, deve acontecer até a terça-feira da próxima semana, o projeto deve ser apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se cinco dos nove vereadores forem favoráveis, o projeto passa a tramitar em outras comissões para depois ir a duas audiências públicas, obrigatórias por se tratar de matéria tributária.
Salvação com dinheiro público
O R7 apurou que o pacote de incentivos fiscais é visto entre os organizadores da Copa em São Paulo como umas das últimas cartadas para a cidade receber a abertura do Mundial. Como ainda não há contrato firmado entre Corinthians e Odebrecht, construtora responsável pela obra, o clube não teve acesso aos R$ 400 milhões que o BNDES liberou para cada uma das cidades-sede para construir ou reformar seus estádios para a Copa de 2014. A corrida para a aprovação do projeto é importante para os envolvidos porque a Fifa decidirá até meados de julho onde será a abertura do Mundial.
Em maio, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, deu um ultimato a São Paulo. Disse que a cidade tem até o dia 28 de julho para mostrar garantias de que pode receber a partida inaugural. Como o BNDES ainda não pode liberar a verba para São Paulo, o pacote de R$ 420 milhões da prefeitura servirá para mostrar à Fifa que pelo menos existe um caminho para que a construção do estádio seja viabilizada.
O atraso no início das obras já tirou o Fielzão da Copa das Confederações de 2013. Mesmo com a ajuda da prefeitura, o Corinthians ainda não consegue determinar uma data para quando a arena ficará pronta e quanto dinheiro será gasto. Especialistas envolvidos no projeto estimam que a obra pule dos R$ 350 milhões, previstos inicialmente pelo próprio clube, para mais de R$ 800 milhões como forma de adaptar o estádio às exigências da Fifa para o palco de abertura do Mundial de 2014.