Copa do Mundo

Espanha ou Bélgica pegará a França na semi

Após começo claudicante na primeira fase, as duas seleções se encontram na mesma fase da Copa do Mundo quarenta anos depois.

Lamine Yamal e Leandro Trossard, destaques de Espanha e Bélgica, respectivamente
Lamine Yamal e Leandro Trossard, destaques de Espanha e Bélgica, respectivamente Foto : THOMAS COEX / VARIOUS SOURCES / AFP / CP

Espanha e Bélgica definem nesta sexta-feira, a partir das 16h, no SoFi Stadium, em Los Angeles quem estará entre os quatro melhores da Copa do Mundo. Quem avançar irá encarar a atual vice-campeã França que, ontem, mais uma vez comandada por Mbappé, artilheiro ao lado de Messi com 8 gols, confirmou o favoritismo ao eliminar Marrocos por 2 a 0, dando mais um passo para voltar a uma final e buscar o terceiro título.

Belgas e espanhóis, curiosamente, se enfrentaram na mesma altura do torneio, na Copa de 1986. Naquela ocasião, o Diabos Vermelhos venceram nos pênaltis e foram adiante até encontrarem dias depois um endiabrado Maradona que os mandou de volta para casa. Nesta edição, a história das duas seleções pode ser dividida entre a fase de grupos e a dos mata-mata.

A Espanha pareceu começar a competição de pijama, tamanha a sensação de preguiça despertada na arrancada da participação dos comandados de Luis de la Fuente, principalmente no empate sem gols com Cabo Verde e até na vitória sobre o Uruguai. Foi somente na goleada sobre a Arábia Saudita que a Fúria teve lampejos do futebol que a credenciou como candidata.

Outra curiosidade é o fato de até aqui o time vocacionado para jogar do meio para a frente tem se destacado na defesa. É o único sem levar gols entre os 48 da Copa. O goleiro Unai Simón bateu o recorde do italiano Walter Zenga, pois desde o Mundial de 1990, ninguém havia superado a marca de 500 minutos sem buscar uma bola na rede. O espanhol já passou dos 600 depois de resistir incólume também por Áustria e Portugal, nas duas partidas eliminatórias.

Se o coletivo evoluiu a ponto de receber elogios ainda que tardios, a principal estrela espanhola está longe de se aproximar de outros nomes de destaque até aqui na Copa do Mundo. Prestes a completar 19 anos daqui três dias, Lamine Yamal reconheceu isso em depoimento ao jornal Mundo Deportivo na véspera do confronto. “Acho que posso fazer melhor. Sou muito exigente comigo mesmo. Nunca estou satisfeito com o que faço”, admite a joia do elenco.

A Bélgica na primeira fase fez renascer a sensação de que, independentemente da geração, ela não emplaca. Foi assim no auge em 2018 quando foi algoz do Brasil de Tite e parou logo depois na França, e na Copa passada, quando sequer avançou às eliminatórias. Pois dois personagens desses momentos ajudaram a mudar o destino da seleção agora.

Quando estava com um pé fora do Mundial nos minutos finais diante de Senegal na segunda fase, Kevin De Bruyne já se acomodava no banco, de onde, um pouco depois, Romelu Lukaku havia saído para empatar antes da virada dramática por 3 a 2. Nas oitavas, com as estrelas mantidas na reserva pelo técnico francês Rudi Garcia na reserva, o 4 x 1 contra os Estados Unidos lavou a alma de quem apostou nas mudanças e na indignação por enfrentar um anfitrião ajudado pelo seu presidente com uma manobra abjeta de acionar a Fifa para dar condições ao principal jogador americano, suspenso para o duelo.

As ausências do ex-capitão e maior nome da famigerada “Geração de Ouro” - De Bruyne -, do centroavante Lukaku e de Jérémy Doku, se confirmadas para o começo do jogo, surpreenderia o adversário. "Acho que a estrela hoje em dia é o Doku, é ele quem está em melhor forma, mas é uma grande equipe. Do contrário, não estaria nas quartas”, analisa o meio-campista espanhol Gavi, outro que pode ser uma novidade para o confronto que só aceita um classificado.