A fabricante da bola da Copa do Mundo da África do Sul - Jabulani - defendeu o produto após críticas de diversos jogadores e goleiros. "Começamos a utilizar a Jabulani em dezembro em vários campeonatos e a resposta foi positiva. Mandamos um exemplar para todas as seleções para que se acostumassem, mas parece que não aproveitaram. Estou bastante surpreso com essa situação", admite o porta-voz da Adidas, Thomas van Schaik. Os jogadores reclamam basicamente de movimentos estranhos e de dificuldade de controle.
A fabricante alemã ressalta que o Mundial de Clubes 2009 adotou a bola e que não houve nenhuma reclamação. O Barcelona levou o título na ocasião. Coincidentemente ou não, a seleção em que a Jabulani foi aprovada foi a da Alemanha. "Fantástica", disse Michael Ballack, para pouco depois ficar fora do Mundial por causa de uma lesão.
Um dos que reprovaram a Jabulani foi o goleiro brasileiro Júlio César. "A bola é horrível. Parece bola de supermercado", atacou. "Todo mundo quer ver gols", acrescentou o número um da Seleção Brasileira, patrocinado por uma marca concorrente da empresa que produz a bola. O atacante Luís Fabiano faz coro ao colega. "É surreal", resumiu. "Você nunca sabe para onde a bola vai. Para os goleiros é complicadíssimo saber o que fazer", reclamou o jogador do Sevilla.
Comentários negativos sobre a bola vêm também das concentrações de outras seleções favoritas ao título, como Inglaterra e Itália. A Azzurra, atual campeã, está nos Alpes, e até de lá os comentários sobre a Jabulani são ruins. O goleiro veterano Gianluigi Buffon é um dos mais críticos: "Acho uma vergonha usar essa bola em um evento tão importante como este".
O inglês David James e o chileno Claudio Bravo também comentaram a questão. Para o europeu, na África do Sul "haverá gols como em nenhuma outra edição do Mundial", enquanto o sul-americano acha que há um único objetivo por trás da redonda em questão: "Complicar a vida dos goleiros".
A marca que fornece a bola veste os jogadores da Espanha, mas nem assim eles apoiaram a Jabulani. "É triste que uma competição tão importante como o Mundial tenha uma bola de péssimas condições", afirmou o goleiro e capitão Iker Casillas, logo depois do amistoso no sábado, em que a Fúria bateu a Arábia Saudita por 3-2. Seu colega de seleção Xavi Hernádez também reprova a bola, mas lembra que "não podemos fazer nada", enquanto o volante Xabi Alonso tenta minimizar a situação: "Ela realmente tem características diferentes, mas pouco a pouco nos acostumamos", aposta.
Fabricante de bola da Copa se defende de críticas
Objeto já foi chamado até de "bola de supermercado" por jogadores