Copa do Mundo

Fifa rebate IFAB e defende decisão do VAR no caso Embolo

Entidade máxima do futebol contesta interpretação sobre protocolo de erro de identificação

Discussão envolve protocolo de revisão introduzido na Copa do Mundo
Discussão envolve protocolo de revisão introduzido na Copa do Mundo Foto : ROBERTO SCHMIDT / AFP

A Fifa contestou a interpretação divulgada pela International Football Association Board (IFAB) sobre o protocolo de erro de identificação utilizado pelo VAR durante a Copa do Mundo de 2026. Em comunicado oficial divulgado nesta quarta-feira, a entidade afirmou que o procedimento adotado no lance envolvendo o suíço Breel Embolo e o argentino Leandro Paredes foi aplicado de maneira correta e serviu para corrigir uma decisão equivocada provocada por uma simulação.

A discussão envolve um dos episódios mais polêmicos do Mundial. No confronto entre Argentina e Suíça, pelas quartas de final, Paredes recebeu cartão amarelo após o árbitro português João Pinheiro entender que o argentino havia cometido uma falta sobre Embolo. O VAR recomendou a revisão do lance, e a punição foi anulada. Na sequência, o atacante suíço foi advertido por simulação. Como Embolo já tinha um cartão amarelo, acabou expulso.

A Argentina venceu por 3 a 1 na prorrogação e avançou para a semifinal. Dias depois, a IFAB esclareceu que o protocolo de erro de identificação não deveria ser usado para modificar a infração apontada inicialmente pelo árbitro. De acordo com a entidade responsável pelas regras do futebol, o mecanismo deve permitir apenas a correção da identidade do jogador que recebeu a punição, sem alterar a natureza do lance.

A visão da Fifa

A Fifa, porém, apresentou uma interpretação diferente e defendeu a atuação do VAR nos episódios envolvendo Embolo e o paraguaio Miguel Almirón, que também foi punido por simulação durante a competição.

No comunicado, a Fifa afirmou que sua interpretação do protocolo foi utilizada de maneira uniforme durante o torneio e que os dois casos registrados tinham uma característica em comum: jogadores haviam sido advertidos por infrações que, posteriormente, foram consideradas inexistentes após a simulação dos adversários.

Segundo a entidade, a revisão não teve como objetivo alterar uma infração cometida, mas corrigir um erro factual provocado pela simulação. A Fifa também argumentou que a situação não deveria resultar em uma punição disciplinar para o adversário que pudesse gerar consequências adicionais, como a expulsão por segundo cartão amarelo.

“A interpretação da Fifa sobre Identidade Equivocada foi aplicada de forma consistente durante a Copa do Mundo da Fifa. Houve duas instâncias em que um jogador foi erroneamente identificado como tendo cometido uma infração passível de cartão amarelo, e o VAR aconselhou o árbitro a corrigir o erro factual causado pela simulação do adversário”, afirmou a entidade.

A Fifa ainda declarou que não considera que tenha ocorrido um erro da arbitragem ou da equipe de vídeo e classificou a intervenção como uma forma de restabelecer a justiça na partida. “A simulação em si não pode ser contestada e não deve resultar em uma sanção disciplinar contra um adversário que possa então levar a consequências adicionais, como uma expulsão por segundo cartão amarelo ou uma suspensão de partida por acúmulo de advertências”, acrescentou.

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Entenda a divergência com a IFAB

A manifestação da Fifa ocorre após a IFAB publicar uma orientação sobre o uso do protocolo. A entidade responsável pelas regras afirmou que a cláusula de erro de identificação deve ser restrita à identificação do atleta que cometeu a infração originalmente apontada pelo árbitro.

Na interpretação da IFAB, se um jogador for punido por engano no lugar de outro, o VAR pode ajudar a corrigir a identidade do infrator. O mecanismo, porém, não deve ser utilizado para transformar a infração inicialmente marcada em uma simulação. Essa diferença de entendimento coloca em discussão justamente os lances de Almirón e Embolo.

Nos dois casos, a revisão do VAR não apenas identificou quem deveria receber o cartão, mas também levou à mudança da interpretação dos lances, que passaram de supostas faltas para simulações. A IFAB afirmou que a aplicação do protocolo em casos de simulação durante a Copa do Mundo foi bem recebida e que o assunto será discutido em uma revisão mais ampla das regras de atuação do VAR.

Até que essa análise seja concluída, a entidade indicou que o procedimento não deverá voltar a ser utilizado dessa maneira. A Fifa, por sua vez, afirmou que acompanha as observações da IFAB e que manteve contato com a entidade durante todo o processo. Segundo a federação internacional, a própria IFAB confirmou que a interpretação utilizada durante o Mundial é válida e que o tema será levado para as discussões sobre possíveis mudanças no protocolo do VAR.

“Não consideramos isso um erro do árbitro ou do VAR, e a decisão restaurou a justiça. Notamos os comentários da IFAB em sua Circular, estivemos em contato com eles durante todo o processo e eles confirmaram que essa interpretação é válida, que foi bem recebida e que fará parte da discussão sobre revisões no Protocolo do VAR, conforme discutido na última AGM”, concluiu a Fifa.