Copa do Mundo

Fifa se concentra nos exames antidoping surpresa

Objetivo é submeter aos testes pelo menos oito integrantes de cada uma das 32 seleções

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) vai promover exames antidoping surpresa em jogadores nas semanas anteriores ao início da Copa do Mundo-2010. O objetivo é submeter aos testes pelo menos oito integrantes de cada uma das 32 seleções.

As equipes receberão especialistas nos centros de treinamento, para que sejam realizados os exames, como ocorreu no caso dos franceses durante a sua preparação nos Alpes, em meados de maio. "Em relação à Copa do Mundo anterior, duplicamos a quantidade de jogadores submetidos a exames-surpresa antes do começo do torneio", explica o chefe médico da Fifa, Jiri Dvorak . "Sempre há discussões para saber se fazemos exames suficientes ou não. Mas, para nós, é o bastante", completa.

Os exames de sangue ressurgiram junto com os exames de urina. Em 2006, a Fifa havia decidido economizar, considerando que os exames de detecção de hormônio do crescimento (baseados em uma análise de sangue) não eram eficazes o bastante.

Este ano, os exames-surpresa são mais fáceis de serem realizados, já que as seleções têm a obrigação de estarem localizáveis desde 22 de março, fornecendo informações sobre o local e a hora em que os jogadores podem ser encontrados para realizar os testes. O período de competição começa para cada equipe 24 horas antes de sua primeira partida. Isso é importante porque que alguns estimulantes, como a maconha e a cocaína, que representam a grande maioria dos resultados positivos no futebol, não estão na lista de produtos proibidos fora de competição.

Durante a Copa do Mundo, pelo menos dois jogadores de cada equipe serão examinados depois de cada jogo. Todas as amostras serão analisadas no laboratório de Bloemfontein, um dos que estão credenciados pela Agência Mundial Antidoping (AMA), com o apoio de uma instituição suíça em Lausane.

"Depois de 1994 e (o caso) Maradona, não tivemos um só caso positivo, tanto dentro como fora da competição", lembra o doutor Dvorak. "Se Diego Maradona, o Deus do futebol argentino, foi flagrado por uso de efedrina durante a Copa do Mundo dos Estados Unidos, um novo caso parece hoje pouco provável", destaca.

"Acho que é preciso ser muito, mas muito estúpido para se dopar", afirma David Howman, diretor geral da AMA. "O mundo inteiro acompanha este evento, e ninguém quer envergonhar seu país. E dentro de uma equipe, a pressão é às vezes ainda maior, porque não querem fazer as coisas diante de seus companheiros", considera o especialista.