Copa do Mundo

Imigrantes e descendentes japoneses de Ivoti tratam com naturalidade a vitória de virada do Brasil contra o Japão

Moradores da Colônia Japonesa, que mantêm viva a cultura nipônica na região do Vale do Sinos, cultivam o amor e o carinho pelo Brasil; com torcidas divididas, o resultado agradou a todos

Mutsuko disse que por estar no país por tanto tempo, se sente brasileira, mas sua torcida ficou dividida durante a partida
Mutsuko disse que por estar no país por tanto tempo, se sente brasileira, mas sua torcida ficou dividida durante a partida Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

A vitória do Brasil de virada sobre o Japão, eliminando o time asiático dos jogos da Copa do Mundo, classificando a Seleção Brasileira para as oitavas de final, foi encarada com naturalidade pelos descendentes e imigrantes japoneses, na cidade de Ivoti, onde está localizada a maior Colônia Japonesa no estado e uma das maiores do país. Apesar de manterem forte a cultura nipônica na região do Vale do Sinos, o amor e o carinho que a comunidade tem pelo Brasil, país que os acolheu, e acolhe até hoje, está muito presente nas falas e nos relatos de cada um.

O resultado final, que agradou praticamente a todos, demonstra que rivalidade entre os países fica restrita exclusivamente para dentro do campo. Paulo Tanaka, 58 anos, agricultor, filho de imigrantes, mas nascido no Brasil, acreditou na vitória brasileira e até mesmo acertou o palpite do placar, que terminou em 2 a 1. Mesmo com a mãe imigrante, de 92 anos, torcendo para o Japão, ele admite que o coração sempre foi brasileiro. Da mesma forma acontece com Fábio Sato, 55 anos, filho de imigrantes japoneses, que comemorou o desempenho dos brasileiros no gramado de forma discreta. "Eu nasci no Brasil e minha torcida é para a Seleção Brasileira."

Pelas ruas Monte Fuji, Sakura e Sassada, onde se concentram a maioria das famílias da Colônia Japonesa, o clima transcorreu amistoso e tranquilo durante toda a partida. Sem bandeiras, camisas de ambas as seleções ou ornamentos que lembram o futebol, em momento algum ouviu-se foguetório, gritos de gol ou som de vuvuzelas. A torcida se manteve dentro das casas, em família. Ao término da partida o cenário não se alterou.

Imigrante japonesa, que chegou ao Brasil com 4 anos de idade, Mutsuko Miyabe, de 71 anos, disse que por estar no país por tanto tempo, se sente brasileira, mas sua torcida ficou dividida para os dois países. Por fim, argumentou: "Que vença o melhor." Mutsuko estava certa. Dentre de campo, o Brasil demonstrou domínio técnico e ofensivo, talento e criatividade. O Japão, por outro lado, mostrou organização, disciplina e intensidade, mas ainda sem conseguir transformar o esforço em vitória, fechando o placar a supremacia brasileira.

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