As atitudes do governo dos Estados Unidos em relação a participação do Irã na Copa do Mundo 2026 foi o principal foco da repercussão na mídia local sobre a estreia da república islâmica no Mundial. O LA Times começou o texto com a seguinte frase: “a seleção iraniana finalmente pôde simplesmente jogar futebol”. O Washington Post destacou o técnico do Irã que afirmou que a seleção foi expulsa dos EUA logo após o fim do jogo. Já o New York Times ressaltou as vaias e aplausos dos torcedores presentes no SoFi Stadium, em Los Angeles, dando especial destaque para aqueles que são contra o governo iraniano.
O LA Times resumiu as dificuldades encontradas pelos iranianos: disputar uma competição com uma guerra eclodindo entre o país anfitrião das partidas e o país de origem da seleção; tiveram que transferir seu acampamento-base do Arizona para Tijuana, enfrentaram dificuldades para levar toda a sua comitiva aos Estados Unidos em meio à fiscalização de vistos, torcedores foram proibidos de entra no país e ainda tiveram que "absorver a sugestão do presidente Trump de que poderiam não estar seguros se optassem por jogar a Copa do Mundo".
O periódico destaca que com o foto exclusivamente no futebol, o Irã conseguiu se recuperar e empatar com a Nova Zelândia, em 2 a 2, “diante de um público anunciado de 70.108 pessoas. Embora superar tantos obstáculos pudesse ter sido considerado uma vitória para a seleção iraniana, eles saíram frustrados com seu desempenho dentro e fora de campo”.
O Washington Post destaca a informação repassada pelo técnico Amir Ghalenoei de que a delegação do Irã foi obrigada a deixar os Estados Unidos “horas depois do final do jogo”. Os iranianos esperavam passar a noite da Califórnia para fazer o treino de recuperação física que ocorre no dia seguinte ao jogo, mas tiveram que embarcar em um avião para viajar 225 quilômetros até Tijuana, no México.
“Eles nem nos deram tempo para nos recuperar”, disse Ghalenoei. “Depois do jogo de hoje, nos disseram: 'Vocês têm que ir embora imediatamente'. Para ser sincero, não sabemos por que estão nos mandando de volta”, disse Ghalenoei. “Acho muito estranho. Parece que outras pessoas estão planejando tudo por nós. As decisões estão sendo tomadas por outros. Deveríamos estar nos EUA duas noites antes do jogo, e deveríamos ficar esta noite para nos recuperar e voltar amanhã na hora do almoço. Não temos ideia do porquê.”, afirmou o técnico. “Acho que nossa seleção é talvez a mais oprimida da Copa do Mundo”, completou
O capitão do Irã, Mehdi Taremi, revelou que a delegação demorou cinco horas na viagem até os EUA e passando por verificações de segurança, o que normalmente é uma viagem muito curta de Tijuana para a região de Los Angeles. Os dois também criticaram a falta de membros importante da delegação que não receberam o visto. “Acho que a FIFA precisa nos ajudar mais do que isso... Na verdade, tudo está um desastre para nós”, afirmou Taremi.
O New York Times exemplificou com o caso de um médico as vaias e aplausos ouvidos no SoFi Stadium. Para as vaias, destacou em específico um gol da Nova Zelândia.
“Assim que a bola entrou na rede, Sahand Vafadary saltou da cadeira e girou a bandeira do Irã acima da cabeça em comemoração. A Nova Zelândia acabara de voltar a frente no placar em sua estreia na Copa do Mundo contra o país natal do Vafadary, e ele estava em êxtase. Vafadary, um médico de Phoenix, Arizona, disse que gastou US$ 300 em um ingresso para torcer pelo adversário do Irã em forma de protesto”, escreveu o jornalista Tariq Panja sobre o episódio.
- Comunidade iraniana em Los Angeles protesta contra a seleção do próprio país na Copa do Mundo
- Irã e Nova Zelândia empatam 2 a 2 em jogo que era cercado de tensão
“O motivo pelo qual queremos que a Nova Zelândia vença é porque a seleção iraniana que está jogando agora, intencionalmente ou não, está sendo usada como propaganda pelo regime”, disse o Vafadary, que nasceu em Teerã, para Panja.
O jornalista destaca que essa não foi o único protesto de ontem. Ele destaque que, assim que entrou em campo, a seleção do Irã foi aplaudida pela maior parte do estádio e vaiada por outros. “Desde que os Estados Unidos e Israel lançaram seu ataque conjunto ao país no final de fevereiro, os jogadores iranianos têm tido que navegar por uma complexa teia de ajustes, concessões e frustrações apenas para poder competir”, registrou o NYT.
O Irã tentou junto a Fifa mudar os jogos dos Estados Unidos para o México ou Canadá, mas a entidade se mostrou irredutível e confirmou todos os três jogos da primeira fase nos EUA. A seleção iraniana volta aos gramados no domingo, às 16h, para enfrentar a Bélgica, na segunda rodada do grupo G. No mesmo dia, mas às 22h, Nova Zelândia enfrenta o Egito, no Vancouver Place, em Vancouver, na Colúmbia Britânica, no Canadá.