Copa do Mundo

Ironia do destino: Empate pode classificar Áustria e Argélia e reeditar “pacto” de 1982

Na Copa de 82, Alemanha e Áustria transformaram o jogo em uma farsa que eliminou a Argélia do Mundial

Alemanha perdeu para a Argélia na Copa de 82, mas depois eliminaria os africanos em um jogo "arranjado" com a Áustria
Alemanha perdeu para a Argélia na Copa de 82, mas depois eliminaria os africanos em um jogo "arranjado" com a Áustria Foto : STAFF / AFP

Áustria e Argélia se enfrentam neste fim de semana, em Kansas, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Após vencerem a Jordânia e perderem para a Argentina, as seleções disputam uma vaga na segunda fase do Mundial.

A equipe europeia, comandada por Ralf Rangnick, lidera pelo saldo de gols e avança com vitória ou empate. Já o time africano, de Vladimir Petkovic, precisa obrigatoriamente da vitória para se classificar sem depender do critério de melhores terceiros colocados.

"Escândalo de Gijón"

O jornal Marca, da Espanha, destacou hoje que a partida lembra o "Escândalo de Gijón", ocorrido em 25 de junho na Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Na ocasião, a Argélia havia encerrado sua participação no grupo com duas vitórias e uma derrota.

No dia seguinte, Alemanha e Áustria se enfrentaram sabendo que uma vitória alemã por um ou dois gols classificaria ambas as nações europeias e eliminaria os argelinos. Após Hrubesch marcar para a Alemanha aos 10 minutos, o jogo virou uma farsa: os times apenas trocaram passes até o apito final, sob vaias do público.

Torcedores argelinos exibiram notas de dinheiro em protesto e gritaram "que se beijem", gerando incidentes com as forças de segurança. A Alemanha avançou e chegou à final daquele Mundial, sendo derrotada pela Itália.

Foi a partir daquele episódio que a FIFA determinou que os jogos decisivos da fase de grupos passassem a ser disputados simultaneamente.

Copa de 78: Argentina 6x0 Peru

A torcida brasileira lembra de um caso semelhante quatro anos antes. Em 1978, na Copa do Mundo da Argentina, a seleção da casa também disputou vaga na final contra o Peru sabendo do que precisaria para avançar (vitória por 4 gols de diferença). O Brasil tinha encerrado sua partição antes, ao bater a Polônia por 3 a 1. No fim, a Argentina venceu por 6 a 0 a seleção peruana, foi para a final e ganhou o título. Eliminado de forma invicta, o Brasil questionou a honestidade da disputa e se considerou o “campeão moral” daquela Copa.

O atual formato da Copa, com 48 seleções e classificação de oito terceiros colocados, reacende dúvidas e brechas matemáticas. Embora a Argélia busque revanche histórica pelo pacto de 1982, a realidade do regulamento mostra que um empate na partida deste fim de semana pode, ironicamente, acabar sendo suficiente para classificar as duas equipes, a depender de outros resultados.

http://vejatambem