Em sua coluna sábado no jornal El País, Jorge Valdano lança mão do livro do escritor Andrés Burgo para recordar um data emblemática para os argentinos e inesquecível para a história das Copas. Na condição de 'um travelling televisivo', ele descreve o seu privilégio de acompanhar bem de perto o segundo gol de Maradona avançando a dribles os adversários. Para eles, era muito mais do que um jogo. "El partido", título da obra, antes de um duelo de quartas de final, foi uma vingança.
Anteriormente ao encontro no estádio Azteca, 649 jovens soldados argentinos haviam sido mortos pelos ingleses na Guerra das Malvinas. Valdano: 'Nas arquibancadas, nem esperaram o jogo começar para que as duas torcidas rivais começassem a trocar socos'. No campo, depois do primeiro gol marcado com "A mão de Deus", o camisa 10 que ergueria dias depois a segunda taça dos hermanos, marcava o segundo deixando sem explicação lógica quem assistia aquilo ao vivo. Segue Valdano: "Se essa partida é lendária hoje em dia, é porque naquela época havia espaço para mistério'.
O que Messi fez na estreia de seu sexto Mundial reascendeu um debate. Para ver quem foi maior do que Pelé, nossos vizinhos precisam antes definir quem foi melhor no país deles: se Di Stéfano, Maradona ou Messi. Penso que idolatria e veneração são conceitos diferentes. Brasileiros e amantes do futebol mundo afora veneram muito mais do que idolatram Pelé. Não conheço Nápoles, na Itália, mas conheço Buenos Aires e a afirmação do jornalista Mauro Cesar Pereira: ‘Maradona é o maior ídolo da história do esporte’. E 22 de junho de 1986 tem muito a ver com isso.