Os mais jovens talvez não saibam ou acreditem, mas comprar uma camisa de time ou de seleção é uma prática banal de trinta anos para cá, mais ou menos. Basta ver uma foto de uma criança na década de 1980 e depois adolescente no começo dos anos 1990 e lá estarão peças simples, geralmente de algodão e distantes da que os jogadores vestiam. De Grêmio e Inter se achava alguma coisa em lojinhas no Olímpico e Beira-Rio e ólilá. Daquela época, guardo na lembrança um uniforme que, agora na Copa do Mundo, me despertou um déjà vu particular.
Para 2026, a Alemanha se inspirou na icônica camisa de 1990 criada pela fornecedora de material esportivo das três listras. Os alemães foram campeões na final contra a Argentina com um pênalti inexistente convertido por Brehme em Goycochea. Matthäus, Völler e Klinsmann são os nomes que enxergo na memória vestindo uma camisa diferente de todas as outras que conhecia. O amarelo, preto e vermelho distribuídos na altura do peito de um ombro a outro.
Não sou sommelier de uniformes, mas em tempos comercias em que clubes milionários entregam os mantos sagrados para marcas até de bets, as camisas de seleção deveriam ser uma reserva cívica, se não poética. Que ali fossem respeitadas as cores da bandeira do país, exceto para casos justificadas como na Holanda e Itália. A camiseta principal não é lugar para arrojos no desing e sim para peças sóbrias. Agora, no 7 a 1 da Alemanha sobre Curaçao, a saudade daqueles tempos engoliu a melancolia do fatídico placar.