Copa do Mundo

João Paulo Fontoura: "Abre o olho, Brasil"

Ao contrário de outros tempos, atual time do Japão, próximo adversário da Seleção Brasileira na Copa, além de veloz, organizado e disciplinado, é também agressivo na marcação

Hiroki, defensor do Japão, um time que não dá refresco ao adversário
Hiroki, defensor do Japão, um time que não dá refresco ao adversário Foto : PAUL ELLIS / AFP / CP

O depoimento foi do repórter na transmissão da TV, de trás do gol onde estava Zion Suzuki, o primeiro goleiro negro a defender o Japão em uma Copa do Mundo. Os defensores da equipe de Hajime Moriyasu pareciam esses novos carros elétricos que aparecem ao lado da gente na sinaleira sem fazer nenhum barulho. Quando um sueco dominava a bola, silenciosamente, surgia um marcador de olhinho puxado para tirar a bola, dificultar uma ação ofensiva ou parar o lance com uma falta.

Do sofá de casa, eu não tive tamanha habilidade para enxergar esse detalhe, mas percebi um outro fator até então alheio à evolução nítida do futebol japonês nas duas últimas décadas: a virilidade. Elogiados historicamente por serem disciplinados na parte tática, metódicos em muitos aspectos e dedicados como o povo japonês é, agora eles estão também mais agressivos. Entenda como elogio e não uma crítica.

No futebol atual, mais do que nunca, a imposição física é quase uma questão de sobrevivência. Conforme os dados da Fifa, o time base do Japão, adversário do Brasil na segunda-feira, tem 1,81m de média de altura, algo impensável em outros tempos. Os antigos baixinhos ligeiros seguem ligeiros, só aumentaram o porte. Portanto, abre o olho Brasil.