Copa do Mundo

João Paulo Fontoura: ‘Espírito de Copa mandado às favas’

Por mais arraigada que se mostre a parceria entre o governo americano e a Fifa, ela não irá controlar a origem do talento que levará mais uma taça

Infantino seria apontado como comissário de empresa responsável pelo Mundial, com salário milionário
Infantino seria apontado como comissário de empresa responsável pelo Mundial, com salário milionário Foto : Foto por ALFREDO ESTRELLA / AFP / CP

Não busque lógica na Copa do Mundo. Nem dentro de campo por aquilo que historicamente ensinou em relação a seleções prestigiadas transformadas em decepções ou desprestigiadas no embarque, mas eternizadas no desembarque. E fora de campo no que diz respeito ao que acontece desde que os envelopes com os nomes dos países-sede foram abertos.

A divisão dos 104 jogos em 78 nos Estados Unidos, 13 no Canadá e 13 no México era um claro indício de quem de fato quer chamar o evento de seu. Donald Trump, presidente americano, maneou a entidade que transformou a maior competição de futebol do planeta na maior máquina de fazer dinheiro em benefício próprio que se tem conhecimento. Mostram-se baita parceiros que mandaram às favas o espírito de reunião de povos e culturas. Que o digam Irã, Somália, Haiti, Senegal e até a Rússia, suspensa no futebol desde o começo da guerra com a Ucrânia. O que não vale no conflito bélico em curso entre EUA x Irã.

No esporte mais popular do planeta, não há controle somente do resultado. Nesse aspecto até a Copa do Mundo preserva o caráter democrático. Por mais que as forças dos poderosos imprimam maior pressão, ainda é o talento nato e humano que decide o desfecho do torneio. E para jogar bola com os pés, a origem diz muito mais do que qualquer outra coisa. Seja dinheiro, ou poder.