Se na coluna de ontem eu coloquei Kylian Mbappé em uma lista onde estava até o 1001 utilidades Itaqui, jogador de Juventude Grêmio do fim dos anos 1990, desta vez deixarei o monstro francês em melhores parcerias. Jesus Cleiton Pereira da Silva, o Itaqui, vai entender, pois desta vez o assunto não é só ter jogado com a 10, embora a camisa sugira a importância dos acontecimentos a seguir.
Zico e Michel Platini, em 1986, Diego Maradona, em 1990, Roberto Baggio, em 1994, Lionel Messi, em 2018, 2022 e 2026, e agora Mbappé. Todos eles craques e principais nomes de suas seleções em cada uma das Copas citadas desperdiçaram pênaltis. Em momentos distintos de relevância, mas parecidos na cerimônia.
O depoimento que perdoa todos eles vem de alguém que, é verdade não errou, mas reconhece que, quando nas decisões só com o goleiro pela frente, a caminhada até a marca da cal é torturante. Ronaldo Fenômeno superou o holandês Van der Sar na semi da Copa de 1998: "Ninguém está preparado para este tipo de situação de pênalti decisivo em Copa do Mundo. É desumano."
A cobrança desperdiçada por Mbappé não alterou o desfecho do jogo contra o Marrocos: 2 a 0, um dele, o oitavo na Copa, ao lado de Messi na artilharia. Humanos e máquinas de botar a bola na rede.