Copa do Mundo

João Paulo Fontoura: ‘Torcer ou não torcer para a Seleção Brasileira, eis a questão

Quatro Copas do Mundo depois, episódio em entrevista coletiva com auxiliar-técnico de Dunga 'ganha' força na cobertura do time hoje comandado por Carlo Ancelotti

Carlo Ancelotti
Carlo Ancelotti Foto : MAURO PIMENTEL / AFP / CP

"Se a Seleção chegar à final da Copa, isso é importante para você, para mim, para todos nós". A frase de 2010 de Jorginho, então auxiliar técnico de Dunga, passadas quatro Copas, pode ter ganho maior alcance. De lá para cá, o Brasil não ganhou nenhuma delas, mas contrario sensu, a julgar pela intenção do autor, ganhou sim certo sentido.

É que passados 16 anos, o jornalismo esportivo sentou e não saiu mais do divã. Na época, o repórter André Kfouri escreveu: "Não há nada de errado em torcer pelo Brasil 'na pessoa física'. Pelas lembranças de infância ou pela identificação que se tem com o nosso futebol. Desde que a 'pessoa jurídica' não deixe de fazer as críticas necessárias". Hoje não. Basta acessar uma rede social, ligar a TV, aberta ou fechada ou abrir uma aba no Youtube. Lá estará um contingente significativo de profissionais "atuando". Com aspas na condição de torcedor, pois parece só assim estarem mais perto do público e mais aceitos pelos alvos.

Nas minhas lembranças afetivas de Copa, não só os gols de Romário e Ronaldo estão guardadas com carinho. Estão também as histórias contadas por quem tem essa missão de contá-las e o faz com talento. E esse desafio, essa responsabilidade jornalística não depende do destino do Brasil no torneio. Ou pelo menos não deveria. A importância da Seleção chegar à final é de fato determinante para Ancelotti e seu time. Para o torcedor, com ou sem microfone na mão, não. Kfouri farejou muito antes o que mais se vê por aí há algum tempo: "Cuidado, eles são os primeiros a virar a casaca".

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