O experiente treinador diz que a pressão é a mesma de dirigir o Brasil, por se tratar do país anfitrião. Mas qualquer um pode notar que Carlos Alberto Parreira está mais leve e solto do que nas últimas cinco Copas do Mundo, quando treinou o Kuwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Brasil, por duas vezes.
Talvez porque todos sabem que a África do Sul não tem tradição em futebol. “Você liga a TV na Liga da Europa e vê jogadores brasileiros e de outros países africanos. Mas nenhum sul-africano”, costuma dizer. Agora, o “Coach”, como é chamado pelos atletas, vai bater um recorde. Seis participações em Copas como treinador. "Sem falsa-modéstia, isso não me importa", disse.
Mesmo com uma opinião realista sobre o futebol do país, Parreira conquistou o coração dos sul-africanos desde a primeira passagem pelo comando da seleção. Quis o destino que seu substituto, Joel Santana, sofresse com resultados negativos e perdesse o cargo a menos de 10 meses do Mundial. Quando técnicos locais fizeram pressão para dirigir os Bafana Bafana, a Confederação sul-africana bancou o retorno de Parreira, que tinha voltado ao Brasil por problema de saúde da mulher.
“De cada 10 negros que o vêem na rua, todos os reconhecem. O mesmo já acontece com os brancos, que antes só assistiam aos jogos de Rugby”, explica Jairo Leal, auxiliar técnico, sobre a popularidade do técnico.
Perguntado sobre o fracasso de 2006, quando o Brasil não cumpriu as expectativas e ainda foi duramente criticado pela preparação na Suíça, com treinos cercados de fãs, ele recusa o ônus individual. “Todos perderam. Eu e os jogadores”.
Mesmo assim Parreira diz que não se arrepende de nada. Conta que depois do sucesso no Corinthians, foi levado quase que naturalmente ao comando da Seleção. Zagallo chegou a aconselhá-lo: “vai voltar pra quê? Você já é campeão e pode se queimar”, disse o Velho Lobo. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, precisou de 7 horas numa reunião para convencê-lo a retornar ao comando da Seleção.
A poucos dias da estreia, Parreira está sereno. Diz que não vê a hora de entrar no Soccer City lotado, ouvindo o som infernal das vuvuzelas. É uma das "armas secretas" que o treinador tem para desconcentrar os adversários. E se a presença de Nelson Mandela se confirmar, o brasileiro diz que vai buscar inspiração no exemplo do ex-presidente para incentivar ainda mais os Bafana Bafana.
Mandela inspira Parreira
Técnico brasileiro mostra tranquilidade no comando dos Bafana Bafana