“Eu vou dizer algo que é louco, mas menos democracia às vezes é melhor para organizar a Copa do Mundo. Quando você tem um chefe de estado forte, que pode decidir, como talvez Vladimir Putin na Rússia em 2018, é mais fácil para nós, organizadores, do que em um país como a Alemanha, onde você tem que negociar em várias esferas. A principal dificuldade que temos é quando entramos em um país com estrutura política dividida, como é no Brasil, com três níveis, federal, estadual e municipal”, disse o dirigente francês, segundo as agências internacionais.
A complicação a qual Valcke se referiu tem a ver com a aprovação da Lei Geral da Copa, que demorou a ser aprovada por ter como conteúdo pontos que passam por cima de regras mais antigas da legislação brasileira, como a proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, concordou com seu subordinado. Ele não se esquivou de dar sua declaração sobre o assunto, inclusive disse ter ficado aliviado pelo que encontrou na Copa-1978, organizada e vencida por uma Argentina que vivia sob ferrenha ditadura.
“Foi um tipo de reconciliação do público, do povo da Argentina, com o sistema político, militar na época. Eu não sei o que poderia ter acontecido se eles tivessem perdido a final para a Holanda. O jogo e o mundo mudaram, este era o meu sentimento na época”, afirmou Blatter.
A defesa da falta de democracia entra na lista das declarações polêmicas de Valcke, que já tinha dito que o Brasil merecia um “chute no traseiro” por causa da lentidão nos preparativos para o Mundial do ano que vem.