Copa do Mundo

"Minha mãe escolhia entre comer e nos alimentar": O emocionante relato do atacante do Haiti antes de encarar o Brasil

Seleção haitiana encara o Brasil nesta sexta pela Copa do Mundo

Pierrot vai enfrentar o Brasil nesta sexta
Pierrot vai enfrentar o Brasil nesta sexta Foto : FRANCK FIFE / AFP

O atacante Frantzdy Pierrot, do Haiti, concedeu uma entrevista comovente ao jornal espanhol Marca antes da partida desta sexta contra o Brasil, pela Copa do Mundo. O atleta lembrou das dificuldades, da miséria do país de origem e o tamanho do sonho que é disputar uma Copa do Mundo.

"Cresci passando dias sem ter o que comer. Minha mãe tinha que escolher entre comer naquele dia ou nos alimentar", conta Pierrot.

E ele também se lembra do lugar onde cresceu.

"Brincávamos na rua sem chuteiras. Usávamos laranjas para brincar porque eram pequenas. Quando você batia nelas, elas batiam nas pedras. E às vezes havia cacos de vidro na rua que se cravavam nos nossos pés. Não tínhamos dinheiro para ir ao hospital, então tínhamos que tirar os cacos de vidro nós mesmos ", diz ele.

Para Pierrot, o futebol o Haiti não é apenas futebol, mas uma das poucas válvulas de escape para esquecer uma realidade marcada pela violência, insegurança e falta de oportunidades.

"Antes da nossa primeira partida, todos estavam nas ruas. Imagine: das sete da manhã até o início do jogo. As pessoas se reuniram para assistir ao vivo. Naquele dia não houve tiros, nem brigas. Nada, só futebol. Todos estavam focados exclusivamente na seleção haitiana."

Pierrot criou uma fundação com a qual pretende ajudar jovens haitianos a encontrar oportunidades. "No Haiti, há treinadores que precisam escolher entre obter sua licença de treinador ou alimentar seus filhos."

O atacante ressalta que, durante anos, muitos haitianos cresceram torcendo para o Brasil ou para a Argentina porque raramente viam sua própria seleção em grandes torneios. Agora a situação mudou.

"Agora eles só têm uma opção. Eles têm que torcer para nós."