Copa do Mundo

Noruega, o mais incômodo dos adversários; confira histórico dos jogos contra o Brasil

A história dos confrontos — sem vitória — da Seleção contra a Noruega

Brasil encara a Noruega neste domingo
Brasil encara a Noruega neste domingo Foto : LUIS ROBAYO / AFP

Ao longo da gloriosa história da Seleção Brasileira, não são muitos os adversários que podem ostentar algum tipo de superioridade. Esses rivais são precisamente três. O maior deles, o único a jamais sofrer derrota para o Brasil, agora está no caminho para o hexa. A Seleção enfrenta a Noruega pelas oitavas de final da Copa e tenta acabar com a invencibilidade dos “vikings”.

Nem mesmo a Argentina exibe um retrospecto tão honroso contra a Seleção. Apesar de ser por uma pequena margem, o Brasil mais venceu (43 vezes) do que perdeu (41 vezes) contra o tradicional rival. Contra Portugal, nosso retrospecto é amplamente favorável (13 a 4), mas os enfrentamentos em Copas deixaram um gosto amargo: 3 x 1 para os lusos em 1966 e a eliminação, e empate em zero na fase de grupos em 2010. Os portugueses estão invictos em mundiais exatamente contra os maiores vencedores. A Hungria é outro espinho na garganta. Em seis confrontos, perdeu dois, mas venceu três. O mais icônico desses jogos ficou conhecido como “A Batalha de Berna”, pelas quartas de final da Copa de 1954, disputada na Suíça: com Ferenc Puskas no banco, os húngaros fizeram 4 a 2 sem nunca ter estado atrás no placar.

No entanto, é a improvável Noruega a maior vilã da história da Seleção. Os encontros são bastante recentes, sendo o primeiro apenas em 1988. De lá para cá, foram quatro jogos. Os noruegueses seguraram empates (ambos por 1 a 1) e venceram as outras duas partidas — incluindo uma de Copa. A equipe do norte da Europa detém, de fato, o sublime “título” de ser a única seleção a jamais haver perdido para o Brasil. Ao menos até este domingo.

São poucos jogos, mas todos têm alguma eloquência na sua história. A primeira vez que brasileiros e noruegueses se encontraram em campo foi em 1988. Naquela ocasião, a Seleção via se esgotar uma geração promissora — formada, entre outros, por Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e Casagrande — que, porém, não conseguira transformar qualidade em conquistas. Novos nomes surgiam: Taffarel, Jorginho, Valdo e sobretudo Romário. No dia 28 de julho, o empate por um gol em Oslo não deu bons sinais para o Brasil com vistas à Copa da Itália, dois anos depois.

No primeiro confronto, um desestimulante 1 x 1 em Oslo | Foto: CP Memória

Passados quase dez anos, em 29 de maio de 1997, a primeira vitória norueguesa chocou inclusive pelo placar, com o Brasil sofrendo 4 a 2 em Oslo. Nessa partida havia um Haaland em campo, mas não ocupava o ataque e sim dava sustentação à defesa. Alf-Inge Haaland, pai de Erling, prodígio do Manchester City, era responsável por destruir. Deixou pouco espaço para o ataque brasileiro formado por ninguém menos que Romário e Ronaldo “Fenômeno”. A estrela do jogo marcou dois gols, vestia vermelho e atendia por Tore Andre Flo, um nome que viraria história no ano seguinte.

No segundo jogo, os noruegueses não respeitaram os tetracampeões | Foto: CP Memória

O empate de 1988 e a derrota de 1997, ambos amistosos, pouco valiam perto da relevância da partida de 1998, disputada em 23 de junho no estádio Vélodrome de Marselha. O Brasil defendia o título na Copa da França. A Seleção se deparou com a Noruega no terceiro jogo da fase de grupos.

Os escandinavos disputavam a segunda vaga com o Marrocos para a classificação e vinha de dois empates. O Brasil, por sua vez, havia vencido os africanos e a Escócia e não perderia a primeira posição. Ainda assim, o time buscava uma estabilidade e, como exibiu o Correio em letras grandes, buscava “vingar” a derrota categórica de 97.

Seleção sofreu gols no fim da partida e amargou segunda derrota para os nórdicos em apenas um ano | Foto: CP Memória

O “novo” Brasil tinha Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo, mas quem marcou foi o remanescente Bebeto, já no último quarto do jogo. Os noruegueses, acossados pelo risco de desclassificação, responderam. Tore Andre Flo novamente brilhou. O gigante de 1,92 metros marcou logo em seguida. Faltando dois minutos para o fim, o volante Rekdal fez 2 a 1. A Noruega passou, o Brasil também, mas ficou a frustração de ser novamente surpreendido por uma equipe sem grande relevância no cenário internacional. Além disso, o retrospecto era desconfortável: três jogos, um empate e duas derrotas.

Ficaria ainda pior. Em 2006, após a eliminação para a França nas quartas de final da Copa da Alemanha, a Seleção fez seu primeiro jogo exatamente contra os noruegueses. O amistoso foi disputado no dia 16 de agosto, em Oslo, um mês e meio depois do Brasil se despedir da Copa. Seria uma espécie de retomada, com Dunga estreando no comando técnico. A Noruega novamente disse “não” (no caso, “nei”, em norueguês). Morten Pedersen marcou aos 6 minutos do segundo tempo e Daniel Carvalho, aos 17, conseguiu apenas evitar um novo fracasso perante os “vikings”.

De técnico novo após cair na Copa da Alemanha, a Seleção novamente não conseguiu superar os noruegueses | Foto: CP Memória

Quando Brasil e Noruega entrarem em campo neste domingo, em Nova Jersey, pela Copa do Mundo, a Seleção terá diante de si a única equipe a quem jamais conseguiu vencer. Em se tratando da maior vencedora de mundiais, não é pouca coisa. Certamente essa história estará na mente e no coração dos nórdicos nessa disputa.

Todos os confrontos entre Brasil e Noruega

  • 31/05/1988 – Amistoso – Oslo – Noruega 1 × 1 Brasil
  • 30/05/1997 – Amistoso – Oslo – Noruega 4 × 2 Brasil
  • 23/06/1998 – Copa do Mundo – Marselha – Brasil 1 × 2 Noruega
  • 16/08/2006 – Amistoso – Oslo – Noruega 1 × 1 Brasil