Um misto de tristeza, frustração e gratidão tomou conta de Buenos Aires após a derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026. Em bares, praças e ruas da capital, torcedores acompanharam a decisão acreditando até os últimos instantes em mais uma virada histórica. Quando o apito final confirmou o vice-campeonato, o silêncio deu lugar aos aplausos, fogos de artifício e a uma mensagem que se repetia por toda a cidade: "Obrigado mesmo assim!".
Em frente a um telão instalado do lado de fora de um restaurante, o motoboy Marco Moya, de 37 anos, assistia à partida ao lado da família. Com os olhos marejados, repetia sem parar: "Obrigado mesmo assim... obrigado, seleção!".
No bairro de Caballito, um café permaneceu em silêncio após o fim da partida. Os clientes continuavam olhando para a televisão, como se ainda tentassem entender que, desta vez, a comemoração era espanhola. Alguns choravam discretamente.
No tradicional Obelisco, ponto de encontro das grandes celebrações argentinas, milhares de pessoas permaneceram reunidas mesmo após a derrota. Buzinas, tambores e fogos de artifício marcaram uma homenagem à campanha da equipe. "Chegamos à final. Não é pouca coisa", resumiu o estudante Luciano Ortega, de 20 anos.
A trajetória da Argentina até a decisão foi marcada por reviravoltas emocionantes, incluindo a dramática vitória sobre a Inglaterra na semifinal, confronto carregado de simbolismo pela disputa das Ilhas Malvinas e pela lembrança dos gols históricos de Diego Maradona na Copa de 1986.
"Muitas pessoas já estavam satisfeitas por termos vencido a Inglaterra. Apesar da derrota para a Espanha, mostramos mais uma vez que a Argentina pertence ao grupo das melhores seleções do mundo", afirmou Ortega.
Em uma praça no bairro de Palermo, onde milhares acompanharam a partida em um telão, o apito final foi recebido com aplausos e gritos de "Argentina, Argentina".
"Estou triste, mas quero agradecer à seleção e, acima de tudo, ao Lionel Messi. Ele deu tudo de si por nós", disse o estudante Nahuel Tudela, de 22 anos.
Durante o jogo, a tensão aumentava a cada ataque. Muitos torcedores beijavam pequenas imagens de Messi que carregavam como amuletos da sorte. Em um café no centro da cidade, gritos dirigidos à televisão se alternavam com cantos da torcida. Nos minutos finais, muitos já assistiam em silêncio, de braços cruzados ou roendo as unhas.
O golpe definitivo veio aos 106 minutos da prorrogação, quando Ferran Torres marcou o gol que garantiu o título espanhol.
Apesar da decepção, muitos argentinos prometeram receber a seleção na volta ao país. "Eles deram tudo de si até o fim. Não chegaram tão longe para que deixemos de recebê-los agora. Nós os amamos do mesmo jeito. No fim das contas, é apenas futebol", afirmou Ortega.
Marco Moya também disse que fará questão de agradecer ao elenco "por todos esses momentos", especialmente diante da possibilidade de que Lionel Messi tenha disputado sua última Copa do Mundo.
Ídolo máximo do futebol argentino, Messi conquistou a Copa do Mundo de 2022, venceu duas edições da Copa América e tornou-se o maior artilheiro e o jogador com mais partidas pela seleção do país.
No bairro de Barracas, cerca de 30 amigos acompanharam todos os jogos da Copa reunidos em torno de um tradicional asado, desta vez protegido por uma tenda improvisada contra o frio e a chuva. Houve lágrimas e revolta após a derrota, mas, quando a transmissão mostrou Messi, todos aplaudiram e gritaram em coro: "Obrigado, Leo!".
"Estou irritado porque não jogamos bem hoje", disse o funcionário público Pedro Montagna, de 35 anos. "Ele marcou uma geração. Primeiro foi Diego, depois veio Messi, e agora esperamos que apareça outro grande jogador. Estou triste porque este teria sido o final perfeito."