Copa do Mundo

Paulo Paixão vai em busca do hexa com o Brasil na Copa 2010

Preparador físico conta um pouco da carreira na Seleção Brasileira

Paixão já participou de três Copas do Mundo
Paixão já participou de três Copas do Mundo Foto : CP Memória
Poucas pessoas têm mais autoridade para falar sobre Copa do Mundo do que Paulo Paixão. Integrante da comissão técnica do Brasil nas últimas três edições do Mundial e já garantido na África do Sul, o coordenador de preparação física do Grêmio recebeu a reportagem do Correio do Povo para falar sobre o torneio mais importante do futebol em nível mundial.

Com camisa para dentro do calção, sentou nas poltronas destinadas aos jornalistas na sala de imprensa do Olímpico e contou um pouco de sua experiência, sem pressa, por quase 20 minutos. Entre outros assuntos, disse que faria exatamente igual na preparação de 2006 e, sorrindo, revelou que está otimista para uma boa campanha na África, daqui a menos de três meses.

União faz a força. E títulos

Um dos primeiros – e mais preciosos – ensinamentos do professor Paixão: para se ganhar uma Copa do Mundo é necessário, antes de tudo, ter união. Só é vencedor aquele grupo que é unido, que está fechado com seu técnico e comandante. Citando isso, ele se lembrou de três passagens pela Seleção, as duas finais com a Argentina, na Copa das Confederações 2005 e na Copa América 2004, e a lesão do volante Emerson, momentos antes do início da campanha do penta, em 2002.

Contra os hermanos, o grupo se fortaleceu da provocação. O preparador físico lembrou que, em 2004, a Argentina vencia o Brasil por 1 a 0 e Tevez começou a dançar pelo campo. Casualmente, Paixão e os reservas estavam por perto e assistiram tudo, indignados, como não haveria de deixar de ser. No fim do jogo, Adriano deixou tudo igual e então “eles foram para os pênaltis sem nenhuma força moral”.

Um ano depois do Peru, a final contra o país vizinho ocorreu em gramados alemães, pela Copa das Confederações. Nessa ocasião, Tevez e companhia nos deram o troféu na véspera, recorda Paixão. Fizeram isso quando imitaram macacos, entre outros gestos, no momento em que as duas delegações se cruzaram no reconhecimento do gramado. “Naquele momento realmente a gente viu no semblante dos jogadores o que eles iriam sofrer.” O resultado? 4 a 0, Brasil.

A união, porém, não aparece apenas em momentos de teste de paciência. Ou só contra argentinos. Ela acontece também na dificuldade e na dor de perder um companheiro horas antes de iniciar o maior torneio de futebol. Peso, este, que fez até o carrancudo chefe Luiz Felipe Scolari se abater: “Cheguei de mansinho e ele estava reclamando ‘que que tem que ir pro gol?’. Aí eu disse que o velhinho lá de cima sabe o que faz...” Então Felipão parou e olhou: “‘Negão’, mais uma vez, tu é f... Vambora”. O final da história todos já sabem. Gilberto Silva foi chamado às pressas, correspondeu e aquela Seleção bordou a quinta estrela acima do escudo brasileiro.

Como elemento que desencadeou o penta, Paixão também citou os percalços das eliminatórias. A má campanha, a derrota para Honduras na Copa América, ao invés de rachar, fecharam ainda mais o grupo comandado por Felipão. “Você pode fazer o melhor trabalho do mundo, mas se o grupo não está contigo”, ensina, balançando negativamente a cabeça. “As individualidades não podem ser desprezadas, porém é grupo”, define.

2006 não foi tão ruim assim

Quatro anos após a campanha vitoriosa na Ásia, a Seleção Brasileira, com Parreira como técnico, desembarcou como grande favorita na Alemanha. Era quadrado mágico de um lado, fãs enlouquecidos de outro, muita badalação. A preparação física da equipe ficou a cargo de Paulo Paixão e Moraci Santana. Bom, o desfecho da história não é nem preciso lembrar. Derrota para a França nas quartas de final, seguido – até hoje – de histórias sobre festas e fuga de concentrações. Ainda assim, “repetiria todo o trabalho”, afirma Paixão.

“Tem competições que não encaixa e essa foi uma que não encaixou. Como você diria em 1998. Eu terminei o (treino) dois toques de sábado com uma apresentação de gala. Dois times, do Edmundo e do Ronaldo. Eu fui para o meu quarto e pensei ‘sou campeão do mundo’. Deu domingo, depois do almoço, e eu que sou super otimista, já achava que não seria mais, depois de todo aquele episódio com o Ronaldo.”

“100% otimista”

A pouco menos de três meses da estreia em mais uma Copa, Paulo Paixão já não esconde a ansiedade pela África do Sul. Ao menos, como diz, tem a rotina do clube para fazê-lo “esquecer” um pouco. Porém, é só entrar na sala de troféus em sua casa para a vontade que chegue logo o Mundial ganhe força.

Como de costume, para o Mundial, não esconde otimismo. “Essa é uma Copa que a gente pode até não ganhar. Mas tudo o que está se desenhando, a seriedade, como foram as outras, os acontecimentos, não seriam nem os bastidores, mas também os bastidores da relação jogador e treinador. Tudo leva a crer que o Brasil vai fazer uma grande copa do Mundo.”

Embora faça a ressalva de quem já tem anos no esporte – “no futebol eu já vi tudo e não vi nada” – ele lembra também que há uma série de fatores que dão base à sua confiança, como a mídia apontar a Espanha como favorita, ter jogadores que perderam na Alemanha no grupo. Isso, segundo o professor, dá motivação ao grupo. E sem esconder o sorriso típico, Paulo Paixão confirma: “Estou 100% otimista”.


FICHA:

Nome completo: Paulo Paixão
Data de nascimento: 23/03/1951
Local de nascimento: Rio de Janeiro

Trajetória:
1994 - Seleção Brasileira
1995 - Grêmio
1996 - Grêmio
1998 - Seleção Brasileira
1999 - Palmeiras
2000 - Grêmio
2001 - Grêmio
2002 - Seleção Brasileira
2003 - Inter
2004 - Seleção Brasileira
2005 - Inter
2006 - Inter
2007 - CSKA
2008 - CSKA
2009 - CSKA
2010 - Grêmio

Títulos:
1995 - Campeão da Libertadores da América (Grêmio)
1995 - Campeão Gaúcho (Grêmio)
1996 - Campeão Gaúcho (Grêmio)
1996 - Campeão Brasileiro (Grêmio)
1996 - Campeão da Recopa Sulamericana (Grêmio)
1999 - Campeão da Libertadores da América (Palmeiras)
2001 - Campeão gaúcho (Grêmio)
2001 - Campeão da Copa do Brasil (Grêmio)
2002 - Campeão do mundo (Seleção Brasileira)
2003 - Campeão gaúcho (Inter)
2004 - Campeão gaúcho (Inter)
2005 - Vice-campeão brasileiro (Inter)
2006 - Vice-campeão gaúcho (Inter)
2006 - Vice-campeão Brasileiro (Inter)
2006 - Campeão da Libertadores da América (Inter)
2006 - Campeão Mundial Interclubes FIFA (Inter)