Copa do Mundo

Seguranças em greve antes de Brasil x Coreia do Norte

Manifestantes ganham de US$ 25,3 a US$ 54,6 por dia durante a Copa do Mundo

Centenas de agentes de segurança particular protestavam nesta terça-feira nos acessos ao estádio Ellis Park de Johanesburgo, algumas horas antes da partida entre Brasil e Coreia do Norte pelo Grupo G da Copa do Mundo, exigindo aumento de salários, constataram jornalistas da AFP. O conflito já se expandiu para quatro estádios da Copa e envolve uma empresa privada autorizada pela Fifa para assumir a segurança das partidas, o que obrigou o governo a mobilizar a polícia para assumir o lugar dos grevistas.

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O governo sul-africano garantiu nesta terça-feira que estas greves de seguranças particulares não colocarão em risco os torcedores, pois a polícia está preparada para assumir estas funções. "Ativamos nossos planos de urgência para assegurar o bom andamento do torneio", indicou em nota o comissário nacional da polícia sul-africana, Bheki Cele.

Na segunda-feira houve protestos em Durban, em Port Elizabeth e na Cidade do Cabo, neste último caso com uma greve algumas horas antes do confronto pelo grupo F entre Itália e Paraguai. A polícia também teve que ocupar o lugar dos seguranças.

"Estamos fazendo esta greve para que ajustem nossos salários. Nos pagam de maneira diferente. Se você trabalha no Soccer City (principal palco da capital sul-africana) recebe quase o triplo do que no Ellis Park", ressaltou à AFP fora do estádio Paul, de 23 anos, um dos guardas que, por proteção, não quis revelar seu sobrenome.

A jovem agente Babalwa, de 24, queixou-se: "Isto não é justo! A Fifa tem muito dinheiro para a Copa e a Stallion (empresa encarregada da segurança) nos paga uma miséria". De acordo com vários agentes consultados, enquanto no Soccer City os agentes recebem 410 rands (US$ 54,6) por dia, no Ellis Park ficam apenas com 190 (US$ 25,3). Os grevistas queriam receber cerca de 500 rands, mas a empresa Stallion negou-se e teria ameaçado os funcionários de demissão. "Nos disseram que ia ser nosso último dia de trabalho, é um abuso", disse Baloyi Jecent, 28.

Vários agentes disseram à AFP que passaram por um escritório do centro de credenciamento para receber seu pagamento final, para que fechassem seus contratos, que venceriam no dia seguinte ao final da Copa, em 11 de julho. Com isso, muitos guardas tiveram que formar uma longa fila para receber cerca de 250 rands, embora muitos ainda mantivessem a esperança de uma solução para o problema. "Apenas com transporte gasto 60 rands", declarou à AFP Poi Ngobeni, de 29 anos.

Além disso, destacaram que a federação sul-africana chegava a pagá-los em partidas locais 350 rands por dia. De acordo com dados dos manifestantes, em Johanesburgo estão trabalhando cerca de 4 mil agentes. Sob intenso frio, em vários portões de acesso ao Ellis Park era possível ver os agentes, a maioria jovens de ambos os sexos, protegendo-se com suas jaquetas, enquanto outros dançavam e gritavam palavras de ordem.

Nos postos de controle e acesso ao centro de imprensa e a outros setores do estádio, trabalhavam policiais, enquanto nas imediações os serviços de segurança realizavam um forte trabalho de patrulhamento, incluindo a guarda montada.
Alguns manifestantes também queixaram-se com os jornalistas de que haviam recebido comida em péssimo estado.

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