Conhecida como berço da colonização alemã, onde os primeiros imigrantes chegaram em 1824, a cidade tem 70% da população com ascendência do país dos craques Bastian Schweinsteiger e Thomas Müller e a familiaridade com a cultura germânica divide os torcedores. “Eu falo alemão desde os 10 anos de idade. Já trabalhei como intérprete, viajei várias vezes a Munique, e em minha casa mantenho os hábitos de meus pais, mas não posso trair o Brasil”, explica a professora aposentada Luiza Kelsch.
Filha de pai alemão, mãe descendente de alemães, e apreciadora do futebol, um fator a mais ainda motiva a professora a acompanhar os jogos da Alemanha. “Meu avô por parte de pai tem o sobrenome Lahm, então eu estou sempre à espera de ver meu parente jogar”, enfatiza ela, explicando que torce pelo jogador Philipp Lahm. Luiza diz que apesar de ter excluído o sobrenome para encurtar a assinatura após o casamento, sempre tem contato com os parentes Lahm, que moram em Taquara.
Para que a população possa torcer unida, independentemente da seleção, a Prefeitura de São Leopoldo irá instalar um telão nas imediações do largo Rui Porto, um espaço ao ar livre, a fim de abrigar os torcedores. “Independentemente do resultado, vamos comemorar. Mas, esperamos que o Brasil ganhe”, diz Luiza.
Os moradores da cidade poderão festejar no melhor estilo alemão, com festas, apresentação de danças folclóricas e bandinhas, cursos de culinária alemã e desfiles temáticos, tudo dentro da programação da 23ª São Leopoldo Fest, que ocorre até o dia 25 deste mês, quando é comemorado o Dia do Colono.
Descendentes germânicos em Santa Cruz do Sul
Apesar de ser um núcleo de colonização alemã no Estado, a torcida será brasileira entre os descendentes germânicos em Santa Cruz do Sul. “Em primeiro lugar o Brasil, depois, a Alemanha”, confessa Sérgio Luiz Böhm, sócio do Centro Cultural 25 de Julho, a principal entidade de preservação da cultura alemã no município. O presidente da 30ª Oktoberfest, Léo Schwingel, concorda: a torcida será esmagadora pelo Brasil. “Um duelo com a Alemanha é muito legal, e uma final, caso fosse possível, também o seria, mas se tem que escolher um, é Brasil, com certeza”, garante.
Ontem à noite, num exemplo que pode servir de inspiração para a Seleção, integrantes do Centro realizaram uma confraternização, após a homenagem aos vice-campeões do 10º Campeonato Mundial de Eisstocksport, disputado na Áustria, em fevereiro, no qual cada equipe é formada por quatro atletas que lançam 12 discos cada um, com pontuação a cada lançamento. O time gaúcho superou favoritos, como a Itália, e o país do esporte, a Alemanha, sendo superado só pela Áustria.