“Eu penso apenas no hoje e no amanhã. É assim que eu funciono”, disse o técnico da seleção francesa, Didier Deschamps, em entrevista exclusiva à Fifa. Para o treinador campeão do mundo, que disputará sua quarta e última Copa do Mundo no comando da equipe nacional, o foco está integralmente no Mundial de 2026.
“A história já foi escrita e ninguém pode apagá-la. Em 1998 e em 2018 eu tinha funções diferentes, mas estive presente nas duas conquistas. Vivi dois momentos maravilhosos. Tive a felicidade de conquistar títulos por clubes, a Liga dos Campeões e tudo o que se pode imaginar, mas não existe nada melhor do que ser campeão do mundo,” destacou.
Ao lado de Mário Jorge Lobo Zagallo e Franz Beckenbauer, Deschamps é um dos poucos a conquistar a Copa do Mundo como jogador e treinador. Desta vez, o francês busca se tornar o primeiro técnico a vencer duas vezes após já ter levantado o troféu dentro de campo, e, ao mesmo tempo, ser o primeiro treinador a alcançar três finais consecutivas do Mundial.
As expectativas são altas, ainda mais, considerando que a França é novamente uma das grandes favoritas ao título. Foi assim também em 2022, na Copa do Mundo do Catar. “Criamos essa expectativa por causa dos nossos resultados. Conquistamos um título (em 2018) e chegamos a uma final (em 2022), o que naturalmente faz nossos torcedores imaginarem a França novamente brigando pelo troféu em julho", afirmou o ex-treinador do Juventus.
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"Fazemos parte do grupo de 10 ou 12 seleções que podem sonhar em ser campeãs do mundo. Mas vocês sabem quantas vão conseguir? Apenas uma. Então haverá pelo menos outras 11 seleções que sairão decepcionadas”, ponderou.
Para chegar a reta final, contudo, a seleção francesa precisará enfrentar uma fase de grupos complicada. Embora Noruega e Iraque sejam adversário respeitáveis, o grande desafio deve vir logo na estreia contra o Senegal. A seleção senegalesa é inevitavelmente associada a uma derrota devastadora em 2002, quando a França, então campeã mundial, foi surpreendida por 1x0 logo na primeira partida. “Faz parte da história. Agora estamos escrevendo uma nova página. O Senegal é uma das melhores seleções africanas”, destacou Deschamps.
Segundo o francês, a estratégia será apostar na força de seu ataque, liderado pelo vencedor do prêmio The Best FIFA de Melhor Jogador de 2025, Ousmane Dembélé, e por Michael Olise, que vem entregando grandes resultados no Bayern de Munique. O elenco conta ainda com o capitão Kylian Mbappé e outros nomes de peso, entre eles Désiré Doué, Rayan Cherki e Marcus Thuram.
Com o último Mundial à frente da seleção francesa na mira, Deschamps admite ainda não pensar na sua vida após a competição. “Não me perguntem o que vou fazer depois, porque eu realmente não sei. Mas será algo bom de qualquer forma. Eu sei o que a seleção francesa representa para mim: são 25 anos da minha vida profissional — 11 como jogador e 14 como treinador”, explicou. “É a coisa mais bonita que já me aconteceu. Sei que será impossível encontrar algo melhor.”