Copa do Mundo

Temperaturas altas e risco de temporais devem marcar a Copa do Mundo

Partidas do Mundial podem ser disputadas com sensação térmica na casa dos 40ºC

Treinos da Inglaterra na Flórida já indicam que calor será um fator complicador no Mundial
Treinos da Inglaterra na Flórida já indicam que calor será um fator complicador no Mundial Foto : Richard Pelham / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP / CP

Por Luiz Fernando Nachtigall e Estael Sias, meteorologistas da MetSul

A Copa do Mundo tem potencial para entrar para a história não só pelo número recorde de seleções. O clima poderá ser um dos grandes protagonistas, com riscos associados ao calor, tempestades, raios e até fumaça de incêndios florestais. Em várias localidades, as temperaturas máximas médias de junho e julho costumam ficar entre 30°C e 36°C. Em ondas de calor, entretanto, os termômetros podem passar de 40°C. Quando a alta umidade é adicionada à equação, o impacto torna-se ainda pior.

O indicador usado pela Fifa e chamado Temperatura de Globo de Bulbo Úmido, conhecido pela sigla WBGT, considera umidade, vento e radiação solar para medir o estresse térmico sobre o organismo. O índice é amplamente empregado para avaliar riscos à saúde em atividades físicas intensas sob calor.

Sensação térmica pode chegar a 45ºC

Entre as cidades que mais preocupam na Copa estão Miami, Houston, Dallas, Kansas City e Atlanta, nos Estados Unidos. No México, Monterrey é a sede de grande risco térmico. Nelas, a combinação de calor e umidade pode atingir marcas extremas. Em Miami e Atlanta, por exemplo, temperaturas de 32°C a 33ºC podem gerar sensação de 40°C a 45ºC em alguns dias.

O calor intenso afeta diretamente o desempenho físico. O corpo precisa trabalhar mais para manter a temperatura interna sob controle. O coração acelera, a transpiração aumenta e a fadiga muscular surge rapidamente. Em situações extremas, atletas podem apresentar tontura, cãibra, exaustão e redução significativa da capacidade de desempenho.

| Foto: Leandro Maciel

Ex-jogadores que participaram da geração da Copa de 1994, nos EUA, recordam que o calor já foi um fator importante três décadas atrás. Agora, especialistas acreditam que as condições podem ser ainda piores, embora preparação física, fisiologia e nutrição tenham evoluído muito desde então.

Os impactos não se limitam aos atletas. Milhões de torcedores e profissionais escalados para o evento estarão expostos às condições meteorológicas em deslocamentos, permanência em filas, atividades em áreas de fãs e dentro dos estádios.

Risco de raios preocupa

Outro aspecto que preocupa organizadores é a possibilidade de raios. O verão norte-americano é marcado por temporais. Cidades como Miami, Houston e Atlanta registram elevada incidência de tempestades capazes de provocar chuva intensa, rajadas de vento e descargas elétricas.

Nos Estados Unidos, protocolos de segurança determinam que eventos esportivos sejam interrompidos quando raios são detectados nas proximidades dos estádios. Isso pode resultar em atrasos e até evacuações de arquibancadas. No Mundial de Clubes, em 2025, diversas partidas sofreram interrupções por raios nas imediações.

Fifa anunciou medidas para reduzir riscos

Por isso, a Fifa anunciou medidas para reduzir riscos. Entre elas estão pausas obrigatórias para hidratação nas partidas, ampliação de áreas de sombra, sistemas de resfriamento, reforço da assistência médica e distribuição ampliada de água aos torcedores.

Alguns estádios também contam com estruturas modernas, incluindo coberturas retráteis e sistemas de climatização, capazes de amenizar os efeitos do calor. Mesmo assim, é consenso que o desafio vai muito além do ambiente interno das arenas, alcançando toda a logística que envolve um evento do gigantismo de uma Copa do Mundo.