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"Tenho vontade de sumir", declarou, tenso, com os olhos vermelhos, tentando se controlar para não repetir o choro que o acompanhou por mais de 24 horas, depois da partida, disputada na sexta-feira, em Port Elizabeth e que determinou a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul.
No confronto, Julio César teve uma falha determinante no primeiro gol do adversário, lance que deu início à reação da Holanda, classificada para enfrentar o Uruguai numa das semifinais do Mundial.
"Ele está obcecado com isso e não fala em outra coisa. Foi assim no estádio, no hotel, no ônibus e agora no avião. Fica se desculpando o tempo todo, é impressionante. Dá muita pena vê-lo assim", contou, comovido, um funcionário da CBF, também presente no voo da Seleção.
O drama de Julio César chamou a atenção até mesmo da tripulação do voo de volta da África do Sul para o Brasil. Uma comissária de bordo que lhe ofereceu um copo de água, quando da visita do goleiro à classe econômica, notou o quanto ele estava descompensado: "Acabei de ver uma pessoa destruída".
O goleiro continuava a resenha, falava mais que seus interlocutores. Às vezes desviava o assunto para analisar as quatro equipes que chegaram à fase semifinal do Mundial. Pouco antes, num comunicado da cabine do comandante, todos os passageiros tomaram conhecimento da vitória da Espanha sobre o Paraguai. Mas bastava uma pequena pausa e o goleiro voltava a expor seu drama pessoal.
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