Copa do Mundo

Torcedores agitam Largo Glênio Peres, na Capital

Jogo do Brasil deixou a cidade deserta na tarde desta terça-feira

Peruca e óculos fizeram parte dos adereços
Peruca e óculos fizeram parte dos adereços Foto : Carla Ruas
Porto Alegre parou por pouco mais de uma hora e meia. Não foi história de ficção científica, nem de experiência espaço-temporal mal-sucedida. O fenômeno, o qual transformou a tarde de terça-feira em meio-dia de domingo, foi o jogo de estreia da Seleção Canarinho na Copa da África. Ruas e avenidas de fluxo frenético, de máquinas e gente, viraram passarelas desérticas de melancolia e ansiedade. Paradas de ônibus eram pontos de solidão. A Capital silenciou pontualmente às 15h30min, até que o apito arbitrou a taquicardia da paixão gaúcha pelo futebol.

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Um pouco antes disso, os passos eram acelerados. As mãos dos trabalhadores fechavam portas e janelas. Cerravam as cortinas das lojas para abrir o espetáculo da bola, ante os telões armados para o torcedor sobre o Largo Glênio Peres. “Pedi pra minha mãe me trazer porque é mais legal no meio da torcida”, sentenciou a pequena Marina Boanova, 8 anos, diante da divisória que separava a estrutura festiva e os homens e mulheres de pescoços erguidos. Protegida pelo abraço da mãe, Adriana Boanova, 38 anos, a menina que deseja “ser médica quando crescer” confessou a paixão pelo craque Robinho e a alegria de sentir-se mais perto da Copa do Mundo.

Ao lado delas, Vani Andrade, 70 anos, esqueceu a angústia ocasionada pelo câncer de mama, contra o qual luta há mais de um ano. Foi pela doença que ela deixou a cidade catarinense de Camboriú, onde vive com a família, para tratar-se num hospital porto-alegrense. “É tão bonito ver o povo todo animado. A gente até esquece as tristezas da vida”, desabafou a vovó, fardada de sorriso e agasalho verde-amarelo.

Além da farda amarela, foi também o horário especial de trabalho o que uniu as irmãs Tamara, 17 anos, e Camila, de 25, com a amiga Marilene, 21, para torcer na arena do Largo. As gurias, moradoras de Canoas, temiam perder parte dos movimentos do Kaká ou do Júlio César, ídolos delas mais pela aparência que pela habilidade. “Valeu, pelo jogo e pela muvuca”, defenderam.

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