Confira um slideshow especial da Copa do Mundo
Um pouco antes disso, os passos eram acelerados. As mãos dos trabalhadores fechavam portas e janelas. Cerravam as cortinas das lojas para abrir o espetáculo da bola, ante os telões armados para o torcedor sobre o Largo Glênio Peres. “Pedi pra minha mãe me trazer porque é mais legal no meio da torcida”, sentenciou a pequena Marina Boanova, 8 anos, diante da divisória que separava a estrutura festiva e os homens e mulheres de pescoços erguidos. Protegida pelo abraço da mãe, Adriana Boanova, 38 anos, a menina que deseja “ser médica quando crescer” confessou a paixão pelo craque Robinho e a alegria de sentir-se mais perto da Copa do Mundo.
Ao lado delas, Vani Andrade, 70 anos, esqueceu a angústia ocasionada pelo câncer de mama, contra o qual luta há mais de um ano. Foi pela doença que ela deixou a cidade catarinense de Camboriú, onde vive com a família, para tratar-se num hospital porto-alegrense. “É tão bonito ver o povo todo animado. A gente até esquece as tristezas da vida”, desabafou a vovó, fardada de sorriso e agasalho verde-amarelo.
Além da farda amarela, foi também o horário especial de trabalho o que uniu as irmãs Tamara, 17 anos, e Camila, de 25, com a amiga Marilene, 21, para torcer na arena do Largo. As gurias, moradoras de Canoas, temiam perder parte dos movimentos do Kaká ou do Júlio César, ídolos delas mais pela aparência que pela habilidade. “Valeu, pelo jogo e pela muvuca”, defenderam.
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