O roteiro da despedida de Neymar da Seleção Brasileira dificilmente poderia ter sido mais melancólico. O camisa 10 entrou em campo aos 22 minutos do segundo tempo, quando o duelo contra a Noruega, em Nova Jersey, ainda estava empatado sem gols. Pouco depois, Haaland balançou as redes duas vezes e encaminhou a classificação dos europeus às quartas de final da Copa do Mundo. Coincidência? Talvez. Mas o fato é que o último capítulo da trajetória do atacante com a camisa amarela terminou com eliminação, lágrimas e um gosto amargo.
A atuação de Neymar esteve longe de ser determinante. O atacante alternou alguns bons momentos, como uma jogada individual em que invadiu a área driblando marcadores antes de concluir sem precisão, com lances discretos, entre eles um lançamento sem direção logo após entrar em campo. Sem ritmo e participando pouco das ações ofensivas, não conseguiu mudar o panorama de uma equipe que já apresentava dificuldades antes de sua entrada.
Ainda assim, o camisa 10 deixou sua marca. Nos acréscimos, converteu o pênalti que definiu o placar em 2 a 1. Antes da cobrança, tentou desestabilizar o goleiro Nyland, este sim um herói de sua seleção, com uma provocação. O norueguês já havia feito sua parte muito antes, ao defender o pênalti cobrado por Bruno Guimarães no primeiro tempo e se consolidar como um dos principais responsáveis pela classificação da Noruega.
O contraste entre os protagonistas da partida foi inevitável. Enquanto Haaland confirmou o favoritismo como principal referência ofensiva da Noruega ao marcar os dois gols da vitória, Neymar apareceu apenas no último lance relevante do confronto, quando o destino da partida já estava praticamente selado.
Após o apito final, a emoção tomou conta do atacante. Sentado no gramado, Neymar chorou enquanto observava os companheiros deixarem o campo. Convocado por Carlo Ancelotti apenas na lista final para a Copa do Mundo, depois de ficar fora das chamadas anteriores do treinador italiano, ele disputou aquele que tudo indica ter sido seu último jogo pela Seleção.
Aos 34 anos, Neymar ainda teria idade para disputar outra Copa — basta lembrar que Cristiano Ronaldo segue em atividade no Mundial aos 41. No entanto, o cenário aponta para o encerramento de um ciclo. O maior artilheiro da história da Seleção Brasileira despede-se da camisa amarela sem o título mundial que perseguiu por quatro edições da competição, deixando para trás uma trajetória marcada por números expressivos, talento indiscutível, uma série de polêmicas e a sensação de que a conquista mais desejada ficou pelo caminho.