Copa do Mundo

Vale tudo para evitar a eliminação do Brasil

Treinadores da Seleção abdicam de esquemas para reagir nas partidas decisivas

Carlos Alberto Parreira colocou quatro atacantes para evitar eliminação contra a França em 2006
Carlos Alberto Parreira colocou quatro atacantes para evitar eliminação contra a França em 2006 Foto : Antonio Scorza/AFP/CP Memória
Quando a eliminação está próxima em uma Copa do Mundo, tudo muda: esquemas, convicções, jogadores preferidos. Os técnicos da Seleção Brasileira deixam antigas preferência de lado e apelam para a tática do "quanto mais ofensivo melhor". O Correio do Povo lembra abaixo quatro momentos de desespero nas últimas derrotas brasileiras em Mundias.

Buscando a vitória com um atacante

Na Copa de 1986, realizada no México, o Brasil comandado por Telê Santana chegou às quartas de final. O adversário era a França. Durante o tempo normal, as duas equipes empataram em 1 a 1. Mas para evitar a prorrogação e, por consequência, as penalidades máximas, Telê quis colocar o Brasil em vantagem com apenas um atacante. O meia Zico, que se recuperava de lesão, entrou no lugar do atacante Müller, aos 31 minutos do segundo tempo. O jogador teve a oportunidade de desempatar a partida, mas desperdiçou um pênalt logo após ter entrado no time. Mais tarde, aos 46, Silas foi a campo para substituir Júnior. Não adiantou. O jogo foi decidido nas penalidades máximas. Sócrates e Júlio César perderam as cobranças e a Seleção foi eliminada prematuramente.

Adeus ao 3-5-2 de Lazaroni

Durante o Mundial de 1990, sediado pela Itália, Sebastião Lazaroni trouxe a Seleção Brasileira no esquema 3-5-2. Com esta concepção de jogo, o Brasil chegou nas as oitavas de final da Copa, para enfrentar a Argentina. A Seleção saiu em desvantagem com um gol sofrido aos 36 do segundo tempo, anotado por Claudio Caniggia.

Em busca da reação, Lazaroni teve abandonou o sistema com três zagueiros e promoveu duas substituições aos 39 minutos. Mauro Galvão deixou o gramado para ser substituído pelo meia Silas. Alemão, volante de contenção, deu lugar para o atacante Renato Gaúcho. A partir daí, o setor ofensivo tinha três homens para tentar a virada para cima dos hermanos. Não resolveu. A Argentina segurou o resultado e o Brasil voltou mais cedo para casa.

Quatro atacantes para virar contra a França

Depois de eliminar a Holanda na disputa de pênaltis, o Brasil chegou à final da Copa da França, em 1998, para enfrentar justamente o anfitrião. O resultado de 2 a 0 ainda no primeiro tempo surpreendeu a todos que assistiam a decisão em Saint Denis. A Seleção Brasileira, comandada por Zagallo, se viu obrigada a apelar para quatro atacantes para tentar empatar o jogo na etapa final.

Leonardo, então meio-campo do Brasil, saiu para dar lugar ao atacante Denílson. Mais tarde, foi a vez de Edmundo tentar a ajudar a equipe verde-amarela na reação contra a França. César Sampaio foi para o banco de reservas. As trocas, no entanto, viraram contra o time brasileiro. O setor de meio estava fragilizado e não conseguiu impedir que Petit ampliasse o resultado para 3 a 0 e garantisse a taça para os franceses.

Quatro atacantes contra a França, de novo

Em 2006, a França estava novamente no caminho do Brasil. A Seleção tinha um time de estrelas e a esperança era de que a equipe verde-amarela poderia vingar a derrota de oito anos antes. Mas Thierry Henry abriu o marcador no início do segundo tempo. A partir daí, o técnico Carlos Alebrto Parreira mexeu no time para tentar ensaiar alguma reação. Adriano entrou no lugar de Juninho Pernambucano, e se juntou a Ronaldinho e Ronaldo no ataque.

Não satisfeito, Parreira colocou Cicinho para substituir Cafu, com a intenção de ter uma jogada mais forte pelo flanco direito. A terceira e última troca veio com a entrada de Robinho no lugar de Kaká. Apesar das modificações ofensivas, o Brasil não conseguiu virar o jogo contra os franceses. Estava eliminado nas quartas de final e com o sonho do
hexa adiado para 2010.

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