Os valores estão incluídos na cota de patrocínio (R$ 15 milhões) paga pela prefeitura à Geo Eventos, empresa das Organizações Globo e Grupo RBS. A forma como o dinheiro foi investido foi definida pela empresa, que organizou o evento. Outros R$ 15 milhões foram pagos pelo governo estadual.
Na descrição dos gastos com a verba cedida pela prefeitura, o maior valor é o da locação da Marina da Glória: R$ 3,747 milhões. O pagamento de cachê a artistas e apresentadores custou R$ 415,9 mil; e a cenografia, R$ 2,246 milhões. A locação de cada uma das 70 "cadeiras com braço" alugadas custou R$ 204. Para o transporte terrestre de artistas foram pagos R$ 112,8 mil; e com "produção", R$ 1,716 milhão. Entre os gastos com pessoal, R$ 54 mil para a "diretora de atendimento", R$ 11 mil para o "assistente de atendimento" e R$ 22,5 mil para "arquiteta Jr", entre outras funções.
A cota de patrocínio foi destinada sem licitação à Geo Eventos, escolhida pelo Comitê Organizador da Copa - comandado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira. No documento em que justifica a inexigibilidade de licitação, a prefeitura afirma tratar-se "de projeto único e exclusivo", que "recebe grande atenção da mídia internacional".
"Além da mídia que a cidade receberá por sediar o ‘Preliminary Draw’, o Rio de Janeiro será contemplado com a veiculação de um vídeo, produzido pela Fifa, com informações sobre a cidade, durante o início da transmissão televisiva do evento", informou o documento.
Por meio de nota, a Geo Eventos informou que "os valores do serviço foram estabelecidos na proposta, que previu uma remuneração padrão, dentro de preços de mercado, e foram correspondentes ao prazo e complexidade das operações de produção. A apresentação de documentação e prestação de contas ocorreu dentro do modelo dos eventos patrocinados pela Prefeitura e Governo do Estado do Rio de Janeiro".
Para a vereadora Andrea Gouvea (PSDB), os gastos são absurdos. "A transmissão de um sorteio de Copa do Mundo tem de ter interessados privados para financiá-la. Não faz sentido o poder público pegar os impostos das pessoas para pagar esse tipo de evento. Nada justifica porque haveria sorteio de qualquer maneira", disse.