“A estrutura não foi afetada. Por isso, vamos interditar apenas 30% da obra agora para que os bombeiros façam a perícia. Ficaremos em dois ou três dias de luto e depois vamos estudar o que será feito. A obra foi parada e os operários dispensados”, observou Sánchez.
O gerente operacional da construtora Odebrecht, Frederico Barbosa, disse que o acidente não deve causar grandes problemas ao cronograma da obra: "A estrutura não sofreu complicações. Era a última peça, a mesma que colocamos há uma semana sem problemas. Houve danos em parte do prédio, mas nada que afete o cronograma".
Sánchez também disse que está “muito abatido” pelas duas mortes. Segundo ele, o Corinthians está dando toda a assistência necessária à família dos operários. “O Corinthians sempre prezou pela segurança de todos. Infelizmente, fatalidades sempre acontecem.”
Os operários mortos foram identificados como Fábio Luiz Pereira, 42 anos, motorista/operador de Munck da empresa BHM, e Ronaldo Oliveira dos Santos, 44 anos, montador da empresa Conecta. O primeiro fazia parte da operação. Já Ronaldo, segundo a construtora e o Corinthians, estava descansando num lugar restrito: “O funcionário do caminhão fazia parte da operação. Fábio era casado, tinha três filhos. O Ronaldo era separado e tinha uma filha. Ele estava na sua hora de almoço e, infelizmente, estava descansando no túnel que dava acesso ao prédio leste”.
Odebrecht garante que procedimento estava correto
Questionados sobre as causas do acidente, Sánchez respondeu que ainda é cedo para uma análise e que o resultado das perícia será divulgado nos próximos dias. “As autoridades vão investigar para ver o que ocorreu. Exigi que fizéssemos essa entrevista para não ter especulações. A perícia nos próximos dias vai dar o parecer oficial do acidente”, salientou.
O gerente operacional Barbosa destacou que a operação estava dentro das condições ideias: “A operação foi correta. Tinha chovido e por isso esperamos uma semana para realizar o procedimento em condições ideais. Tinha um operador dentro do guindaste, mas ele saiu do equipamento assim que tudo começou a ocorrer", contou.
O ex-presidente do Corinthians negou que tenha tentado agredir um jornalista do jornal Folha de São Paulo. “Um profissional da Folha entrou numa área restrita da obra e disse que bati nele. Não fiz isso. Falei alto com ele e estava com seguranças, mas não levantei a mão para o jornalista. Esse, para variar, é mais um mentiroso”, disparou Sánchez.
Após o acidente, a Fifa divulgou uma nota afirmando que a segurança é prioridade nas obras do Mundial. A entidade evitou comentar sobre as causas do acidente, pois está buscando maiores informações e detalhes.
MP irá aguardar laudo para decidir sobre suspensão
O Ministério Público (MP) de São Paulo informou que irá aguardar laudo da polícia científica para decidir se irá pedir a suspensão das obras do estádio do Corinthians. “Somente se os elementos técnicos indicarem a necessidade da suspensão das obras é que a promotoria adotará providências para que a construção seja paralisada, até que sejam eliminados quaisquer riscos para o seu prosseguimento”, diz o comunicado do MP.