Com um time sem craques, formado apenas por operários, o Corinthians, enfim, chegou à final da Copa Libertadores depois de 52 anos de história da competição. E é justamente essa face "cascuda" e "raçuda" da equipe que faz o seu torcedor acreditar que "deste ano não passa".
Na maioria das nove vezes que o Corinthians caiu na Libertadores antes de atingir o Olimpo, a equipe contava com vários jogadores acima da média (para ficar nos exemplos mais recentes, foi assim em 1999, 2000 e 2006), mas falhava na hora H, talvez por se arriscar demais e não saber dosar o tempo de jogo.
Com esse time de Tite, não há ousadia. A equipe vai ao ataque na base do conta-gotas. Parece saber exatamente o que quer do jogo e não se deixa levar pelo adversário. Se não marca muitos gols, pelo menos não toma também - foi vazado apenas três vezes em 12 jogos, melhor marca da história da Libertadores. Assim, o Corinthians foi derrubando seus adversários e se fortalecendo ao longo da competição - não custa lembrar que a trajetória da equipe começou com um suado empate por 1 a 1 contra o fraco Deportivo Táchira, na Venezuela, garantido apenas nos minutos finais com um gol de cabeça do volante Ralf.
A maior prova de que dá para confiar nesse time foi dada à Fiel nas semifinais contra o Santos. Sem jogar um futebol vistoso, de encher os olhos, a equipe soube anular as principais peças do atual campeão da Libertadores (leia-se Neymar e Paulo Henrique Ganso) e aproveitar os espaços oferecidos. Simples assim, chegou à decisão com todo merecimento.
Contra o Boca Juniors, a tática não será alterada. Sem se expor, a meta é voltar para casa com pelo menos um empate. Na pior das hipóteses, derrota por apenas um gol de diferença - na final, gols marcados fora de casa não contam mais como critério de desempate. Em uma decisão de 180 minutos, Tite sabe muito bem que é importantíssimo chegar no dia 4 de julho, no Pacaembu, em boas condições. Além de fazer bem para o moral do grupo, isso inflará ainda mais a fanática torcida corintiana.
Mais uma final depois de cinco anos
O Boca Juniors aposta no fator local para largar em vantagem. A Bombonera estará completamente lotada e a torcida costuma incentivar o time nos 90 minutos. Além disso, outro ponto de desequilíbrio a favor dos argentinos é o craque Riquelme, que tem muita experiência em jogos decisivos de Libertadores. Ontem, os jogadores fizeram um treino fechado. O técnico Julio César Falcioni terá força máxima.
Cinco anos depois, o time argentino chegou à decisão de uma Libertadores. Em 2007, o Boca Juniors enfrentou o Grêmio, então treinado por Mano Menezes, atual técnico da Seleção Brasileira. Naquela ocasião, a final começou a ser decidida na Argentina e terminou, com final infeliz para os gaúchos, no Brasil.
Libertadores 2012 - Final
Boca Juniors
Orion; Roncaglia, Schiavi, Caruzzo, Clemente; Ledesma, Somoza, Erviti; Riquelme; Silva e Mouche. Técnico: Julio Cesar Falcioni
Corinthians
Cassio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán y Fabio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo y Alex; Jorge Henrique e Emerson Sheik. Técnico: Tite
Horário: 21h50min
Local: La Bombonera, Buenos Aires.