Neymar foi anulado pela prodigiosa marcação corintiana no jogo de ida, há uma semana, vencido pelo Corinthians por 1 a 0, na Vila Belmiro. Mas ele é daqueles craques que quando estão em um dia inspirado não deixam pedra sobre pedra. E, ao contrário do que ocorreu na primeira partida, Neymar estará descansado, sem nenhum problema físico que o impeça de brilhar. E sem nenhuma desculpa caso fracasse.
A principal força do Corinthians na Libertadores tem sido sua defesa, não há como negar. A equipe só levou dois gols na competição, nenhum deles no Pacaembu. Mas é de se esperar que o time comandado por Tite, o principal responsável pelo futebol solidário e eficiente que o Corinthians exibe desde o ano passado, viva um dilema nesta quarta.
Basta a ele terminar mais um jogo sem levar gols para ir à decisão, mas não será possível repetir a estratégia usada na Vila Belmiro, onde a equipe da Capital se plantou na defesa durante boa parte da partida e levou os santistas ao desespero. A Fiel vai exigir um jogo mais agressivo no Pacaembu e Tite sabe disso.
Borges é a surpresa
O centroavante Borges é a surpresa do técnico Muricy Ramalho para derrotar o Corinthians, nesta quarta-feira, no Pacaembu, e recolocar o Santos na briga pelo quarto título da Copa Libertadores. Como nem o empate serve e a vitória por 1 a 0 leva a decisão da vaga para os pênaltis, toda a preparação santista foi voltada para que o time volte a ter o alto aproveitamento ofensivo do Campeonato Paulista (média de 2,52 gols por jogo).
Será preciso fazer pelo menos dois gols e por isso sai Elano e entra Borges. Nos últimos oito jogos, três com a força máxima, o antes devastador ataque santista marcou apenas dois gols. O mais importante foi o de Alan Kardec diante do Vélez Sarsfield, da Argentina, na Vila Belmiro, classificando o time às semifinais da Libertadores, e o outro de Renteria, atuando pelo time misto diante do Fluminense, na terceira rodada do Campeonato Brasileiro.
O ensaio do novo ataque começou no segundo tempo da derrota por 1 a 0 diante do Corinthians, no primeiro jogo das semifinais, na quarta passada, na Vila Belmiro. Não saiu o gol porque Cássio, com pelo menos duas grandes defesas, não permitiu, mas Muricy Ramalho gostou do que viu.
O que muda é que com Borges o time passa a ter um atacante que além de finalizar com facilidade e eficiência, sabe como poucos fazer a "parede" para quem chega de trás com a bola dominada, aumentando as chances de gol. Outra vantagem é que, com Borges jogando mais avançado, Alan Kardec voltará para compor o meio de campo, com a missão de ajudar Paulo Henrique Ganso - ainda carece de melhor ritmo, depois de permanecer 19 dias parado por conta da artroscopia no joelho direito - na articulação e se movimentar ao lado de Neymar, caindo pelos lados do campo quando o time recuperar a bola.