Há um mês de fechar o ano, o timão enfrenta sufocos financeiros. Segundo o dirigente do Corinthians, Osmar Stabile, o clube está sem recursos para fechar os meses de novembro e dezembro e estuda fazer um empréstimo de aproximadamente R$ 100 milhões com a Liga Forte União do Futebol Brasileiro (LFU). A possibilidade de pegar dinheiro com o bloco para honrar compromissos foi levantada durante a reunião do Conselho de Orientação (Cori), no dia 29, no Parque São Jorge.
De acordo com a ata da reunião, o presidente externou aos conselheiros a dificuldade financeira do Corinthians, cuja dívida está em R$ 2,7 bilhões. No encontro, um membro da diretoria reconheceu que o fluxo de pagamento da LFU não é o ideal para o Corinthians, afirmando ainda que o clube precisaria de um empréstimo de R$ 72,5 milhões até dezembro e outros R$ 27,5 milhões para janeiro.
A taxa seria de CDI (14,9%) + 3 e o pagamento ocorreria com o débito dos valores que o Corinthians tem a receber em 2026, em duas parcelas de aproximadamente R$ 36 milhões. O pedido de empréstimo foi aprovado de maneira unanime pelo conselho, restando ainda o parecer do Conselho Deliberativo. A notícia boa é que o Corinthians ainda tem direito a receber aproximadamente R$ 210 milhões anuais da LFU pelos direitos de transmissão até 2029 – o que pode ser um coringa para desafogar as dívidas do clube paulista.
O que levou ao fracasso nas contas
Um dos motivos que agravaram a situação econômica atual do time foi a revisão orçamentária após o impeachment do presidente Augusto Melo, cuja gestão projetava um superávit de R$ 34 mi no exercício, que gerou problemas de fluxo de caixa do clube. Outra carta na manga que está previsto é a negociação dos naming rights (concessão feita para nomear o local) da Neo Química Arena por um valor três vezes maior que o atual acordo com a Hypera Pharma. O contrato, assinado em 2020, firmou o aporte em aproximadamente R$ 300 milhões até 2040 – data do fim do vínculo.
Os problemas financeiros do Corinthians esbarram no planejamento do departamento de futebol, já que o clube sofreu transfer ban da Fifa em razão da dívida de R$ 33 milhões com o Santos Laguna pela compra do zagueiro Félix Torres. A entidade máxima do futebol também impôs outras condenações pela falta de pagamento na contratação de jogadores e o valor a ser pago chega a R$ 120 milhões.
Ao assinar o acordo, o Corinthians fez um empréstimo de R$ 150 milhões com a liga. Essa pendência será abatida anualmente no valor de R$ 30 milhões do que o clube tem ainda a receber. Logo, a previsão do clube é de fechar 2025 com um déficit de R$ 83 milhões.