No próximo mês está previsto um novo encontro na sede da Fifa, na Suíça, para se discutir como a determinação será regulamentada. Assim que for validada, a norma preverá que apenas os clubes sejam os donos dos direitos econômicos dos jogadores.
Um grupo de estudos ligado à Fifa se reuniu duas vezes desde o ano passado para tratar o assunto. Dados preliminares levantados apontaram que 30% a 40% do dinheiro aplicado por parceiros econômicos no futebol não eram reinvestidos.
A medida afeta diretamente o futebol brasileiro, que segue a lógica do mercado sul-americano, na qual os investidores são proprietários de parte dos direitos econômicos de jogadores, principalmente de jovens que despontam na base.
Prática essa que também é comum em Portugal e Espanha. Tendo o empresário português Jorge Mendes como o principal mecenas de vários clubes nesses países, eles foram alvos de críticas dos ingleses. A Premier League criou a própria regulamentação e não permite que os clubes tenham jogadores fatiados com terceiros. Sem ligação direta com investidores, o futebol inglês se vê em desvantagem na disputa no mercado contra portugueses e espanhóis.
Hospedeiros estão na mira da entidade
Praxe comum no mercado sul-americano, os clubes hospedeiros, que servem de ponte para negociações, serão monitorados pela Fifa por meio do Transfer Market System (TMS) – sistema internacional que controla as transferências. O tema, inclusive, esteve em pauta no grupo de estudos que analisa a questão em debate.
Investidores costumam ser proprietários de clubes menores que servem apenas para vincular os jogadores dos quais têm os direitos econômicos. Em março, a entidade puniu quatro clubes argentinos e um uruguaio envolvidos nessa situação.
Cruzeiro tem boa relação com parceiros comerciais
Campeão brasileiro no ano passado e atual líder da competição este ano, o Cruzeiro é um clube que tem relação estreita investidores, e o elenco montado no início de 2013 e mantido para esta temporada foi feito com a ajuda de parceiros.
DIS, Traffic e o grupo Kalunga, ligado ao empresário Fernando Garcia, são os principais responsáveis por algumas contratações feitas pela Raposa. O zagueiro Dedé, o meia Marlone e os atacantes Marquinhos e Neilton são alguns desses reforços.
Patrocinado pelo banco BMG, o Cruzeiro também tem auxílio do banco. No momento, o grupo está envolvido em um imbróglio sobre os direitos econômicos de Ricardo Goulart.