Esportes

Decisão judicial sobre calor foi desrespeitada, diz meteorologista

Ao menos três atletas passaram mal devido às altas temperaturas

Simon apontou 32°C no Olímpico antes do jogo. Fora do estádio, estava mais quente
Simon apontou 32°C no Olímpico antes do jogo. Fora do estádio, estava mais quente Foto : Mateus Bruxel
A decisão da Justiça do Trabalho, determinando que as partidas do Campeonato Gaúcho marcadas para as 16h deste sábado não fossem realizadas com calor superior a 35ºC foi desrespeitada pela falta de definição na liminar de critérios objetivos de observação da temperatura, segundo análise realizada pela MetSul Meteorologia.

A estação do Sistema Metroclima da Prefeitura da CApital, a poucas quadras do estádio Olímpico, acusava 35,6ºC no momento em que o árbitro Carlos Simon anunciou que medira 32,5ºC, dez minutos antes do início da partida entre Grêmio e São José. Às 16h, horário marcado para o começo do jogo, a mesma estação informava 36,1ºC. A máxima foi atingida às 16h17m com 36,4ºC. Os termômetros da estação do Menino Deus somente indicaram marcas abaixo de 35ºC a partir das 16h59m devido ao aumento da nebulosidade.

Situação idêntica no Interior

Caso idêntico se produziu no Vale do Sinos. As estações da MetSul Meteorologia em São Leopoldo e do Instituto Nacional de Meteorologia em Campo Bom indicavam 36ºC às 16h após uma máxima na região de 37ºC. Estações no Vale do Rio Pardo indicavam às 16h marcas entre 34ºC e 35ºC. Em Santa Maria, às 16h fazia 33,6ºC na estação automática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e 34ºC na Base Aérea. Já a estação automática do Inmet em Bento Gonçalves acusou máxima de 31,7ºC e 31ºC no instante em que teve início o jogo entre Internacional e Esportivo no Estádio da Montanha dos Vinhedos, valor muito próximo dos 32ºC apurados pela arbitragem.

“Não se questiona a honestidade de quem fez as medições, mas, era impossível que a temperatura estivesse abaixo dos 35ºC em todos os estádios que sediaram jogos a partir das 16h, notadamente aqueles de Porto Alegre e do Vale do Sinos”, comenta o meteorologista-chefe da MetSul Eugenio Hackbart. “Interessante é que o juiz do jogo do Grêmio esteve na véspera no gramado do Olímpico e apurou 36ºC, mas 24 horas depois, no mesmo horário, com calor tão ou mais forte na cidade, anotou apenas 32ºC”, recorda Hackbart.

A estação do Instituto Nacional de Meteorologia no Jardim Botânico, um dos locais menos quentes da Capital devido à arborização, marcava 33,7ºC às 16h, mais de 1ºC acima do observado pela arbitragem no estádio do Grêmio, situado numa das áreas mais quentes de Porto Alegre. Segundo o diretor-geral da MetSul, “o mais espantoso é que a temperatura medida no Olímpico era a mesma de Bento Gonçalves na Serra, algo totalmente fora da lógica”.

Ao menos três jogadores passam por causa do calor

A última rodada da Taça Fernando Carvalho teve pelo menos três casos de jogadores que passaram mal devido ao calor. Em Porto Alegre, o zagueiro gremista Maurício, teve que ser atendido mais de uma vez pelos médicos do clube por causa da alta temperatura e o sol. Em Santa Maria, o lateral Matheus, do Pelotas, teve de ser levado de ambulância para uma clínica, pois estava desidratado, onde chegou desacordado. De acordo com o Pelotas, ele melhorou logo a seguir do atendimento.

Além dos dois, o goleiro do Esportivo, Fernando, recebeu atendimento médico duas vezes no primeiro tempo do jogo contra o Inter, quando o sol estava forte. Na etapa final, o calor cedeu em consequência da chuva que caiu sobre Bento Gonçalves.