O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, se pronunciou nesta quarta-feira sobre a prisão do ex-mandatário da entidade José Maria Marín em um hotel de luxo na Suíça, durante uma operação surpresa da polícia local contra um suposto esquema de corrupção na Fifa. Além de Marín, outros seis cartolas foram detidos. Del Nero saiu em defesa de seu antecessor e disse que contratos suspeitos são obra de Ricardo Teixeira. "São contratos firmados antes da administração de Marín. Eu conheço esses contratos", resumiu Del Nero em entrevista à ESPN.
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Del Nero faz referência a contratos firmados antes da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Os documentos estão sendo investigados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O atual presidente da CBF admitiu, porém, que a prisão de Marín "não é boa" para a CBF. Ele considerou que a investigação é necessária. Conforme a ESPN, Del Nero descobriu a prisão de Marín pela mulher do ex-dirigente da CBF, que estava no mesmo hotel em Zurique onde os cartolas da Fifa estava reunidos.
A saída de Teixeira
Marin foi vice-presidente da administração anterior, a de Ricardo Teixeira, que abandonou a presidência da CBF após uma série de denúncias de corrupção. Marco Polo Del Nero afirmou que não tem nenhuma relação com os assuntos investigados. "Eu era presidente da Federação Paulista. O que queremos agora é saber", declarou, antes de entrar no elevador do hotel da cidade suíça no qual os dirigentes sul-americanos se reúnem antes do 65º Congresso da Fifa, que acontecerá na quinta-feira e sexta-feira.
As palavras do atual presidente da CBF jogam o problema para a gestão de Ricardo Teixeira, afetado em 2012 pelo 'escândalo ISL', sobre o pagamento de propinas da empresa de marketing International Sports and Leisure (ISL), que obteve os direitos para várias Copas do Mundo antes de quebrar em 2001.
Um relatório do Comitê de Ética da Fifa determinou a responsabilidade de Teixeira, assim como de outro dirigente brasileiro, João Havelange, ex-presidente da Fifa, que depois de seu envolvimento no escândalo apresentou sua renúncia como presidente de honra da entidade que comandou de 1974 a 1998, quando foi substituído por seu então secretário-geral, Joseph Blatter.
Outras irregularidades
Além de prender José Maria Marín em parceria com a polícia da Suíça, o Departamento de Justiça norte-americano investiga outras possíveis irregularidades na entidade máxima do futebol brasileiro. Em nota divulgada sobre a prisão do ex-mandatário e de outras seis pessoas, a Justiça dos Estados Unidos afirma estar investigando possíveis pagamentos de subornos nos contratos da CBF com uma marca de material esportivo norte-americana.
O nome da empresa não foi divulgada. Porém, as suspeitas recaem sobre a Nike, fornecedora da entidade desde meados dos anos de 1990. Além disto, há as mesmas suspeitas sobre contratos assinados para a Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil.
"Duas gerações de dirigentes de futebol abusaram de suas posições de confiança para ganho pessoal, frequentemente através de aliança com executivos de marketing inescrupulosos que barraram competidores e mantiveram contratos lucrativos para si mesmos através do pagamento sistemático de propinas. Os dirigentes são acusados de conspiração para solicitar e receber mais de 150 milhões de dólares (cerca de R$ 400 milhões) em subornos em troca do apoio oficial dos executivos de marketing que concordaram com pagamentos ilegais.
Subornos
A maior parte dos esquemas alegados no indiciamento se relacionam a solicitação e recebimento de subornos por dirigentes de futebol pagos por executivos de marketing esportivo em conexão com a comercialização de direitos de mídia e marketing de diversas partidas e torneios - incluídas aí eliminatórias da Copa do Mundo na região da Concacaf, a Copa de Ouro da Concacaf, a Liga dos Campões da Concacaf, a Copa América Centenário, a Copa América, a Copa Libertadores e a Copa do Brasil - que é organizada pela CBF.
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