São Paulo vai reunir neste final de semana a nata do sumô brasileiro. A cidade será palco, no sábado e domingo, do 4º Troféu Brasil de Sumô, competição que também servirá como seletiva tanto para o Sul-Americano, previsto para maio, no Rio Grande do Sul, como para o Mundial, em setembro, na Tailândia. A delegação gaúcha terá dez representantes na competição e a missão de manter o estado como uma das principais forças da modalidade no país, junto de São Paulo e Rio de Janeiro.
O Troféu Brasil deve reunir mais de 100 lutadores ao longo dos dois dias de competição. No total, serão sete categorias adultas (pesado, meio-pesado, médio, meio-médio, leve, meio-leve e super-leve) e três juvenis (leve, médio e pesado). Em geral, para conquistar o título, o lutador tem que vencer entre oito a 11 lutas.
Vagas mais restritas para o Mundial em função das categorias
Para o Sul-Americano, garantem vaga os dois primeiros de cada peso. Já a briga por um lugar no Mundial é mais afunilada. Como a competição conta com menos categorias, a saída foi promover o confronto dos campeões de subdivisões como os pesos médio e meio-médio e determinar a vaga para o vencedor – o mesmo acontece entre os leves, meio-leves e super-leves.
Nestes casos, há uma vantagem evidente para os lutadores mais pesados – o que pode fazer muita diferença no sumô. “No Mundial, um lutador de 85kg, por exemplo, tem que se preparar para isso, ele pode lutar com um adversário de 100kg e está está ciente disso”, observa o atual campeão brasileiro dos médios, o gaúcho de Itati, Adiecson Bobsin.
Em termos continentais, o Brasil é a principal força da América do Sul, seguida da Argentina. Já em se tratando de sumô mundial, para a surpresa de absolutamente ninguém, a hegemonia é japonesa, ainda que países como Rússia, Ucrânia e Polônia também sejam fortes. Aliás, a própria relação dos japoneses com a modalidade é inigualável.
"Foi um momento único que vou levar para o resto da vida. É uma outra realidade”, conta Bobsin, sobre a experiência de já ter participado de dois Mundiais, o primeiro em 2017, em Taiwan, e o segundo, em 2019, no Japão. “Quando se chega lá como atleta de sumô, as pessoas têm um carinho e admiração que só vivendo pra saber o que é esse momento. E abre a nossa visão sobre o sumô, é uma experiência também na parte física, que eles estão em outro nível”, completa o gaúcho.
Desafio também fora do dohyo
Para além do desafio de empurrar os adversários para fora do dohyo, a área de 4,55 metros de diâmetro, os atletas do sumô gaúcho também enfrentam outro obstáculo que é a falta de investimentos na modalidade. Tanto os treinos como a carreira em si é tocada na base da cara e da coragem, com investimentos próprios ou fundos arrecadados pelas equipes.
Para que se tenha ideia, a rotina de treinos de grande parte da delegação gaúcha é formada por treinos físicos durante a semana. Os treinamentos de luta propriamente acontecem apenas aos finais de semana, quando os atletas conseguem conciliar esporte e trabalho na agenda. E ainda assim, sempre com deslocamentos longos. São três locais: Gravataí, Vale Real e Esteio. Ou seja, às vezes algum atleta vai ter que percorrer um caminho menor, na outra semana um maior.
Confira a delegação gaúcha que estará em São Paulo no final de semana:
Adulto
- Adiecson Bobsin (médio, 92 a 100kg)
- Antenor Sato (médio, 92 a 100kg)
- Gustavo da Rocha (médio, 92 a 100kg)
- Joarez Schneider (pesado, acima de 115kg)
- Janílson Savóis (pesado, acima de 115kg)
- Júnior Pacheco (meio-leve, 70 a 77kg)
- Mateus Amaral (pesado, acima de 115kg)
- Sei Takahashi (superleve, abaixo de 70kg)
- Vinícius da Silva (leve, 77 a 85kg)
Juvenil
- Gustavo Savóis (superleve, abaixo de 70kg)