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Desacordo sobre direitos de TV leva federação espanhola a suspender campeonatos Madri

Em bril, foi aprovado pelo governo espanhol um decreto que acaba com a venda individualizada dos direitos

Desacordo sobre direitos de TV leva federação espanhola a suspender campeonatos Madri
Desacordo sobre direitos de TV leva federação espanhola a suspender campeonatos Madri Foto : Lluis Gene / AFP / CP
A Federação Espanhola de Futebol (RFEF) anunciou nesta quarta-feira a suspensão de todas as competições a partir do dia 16 de maio, em razão de um desacordo com o governo do país a respeito da venda centralizada dos direitos de transmissão. Se for aplicada de fato, a medida impedirá a realização das últimas duas rodadas do Campeonato Espanhol, marcadas para os dias 17 e 23 de maio, além da final da Copa do Rei, entre Barcelona e Athletic Bilbao, no dia 30, no Camp Nou.

No dia 30 de abril, foi aprovado pelo governo espanhol um decreto que acaba com a venda individualizada dos direitos, para tentar, entre outras coisas, diminuir o abismo entre os 'gigantes' Real Madrid e Barcelona e os demais.

Ao contrário do que acontece no resto da Europa, a Espanha vinha seguindo um modelo semelhante ao adotado no Brasil, com os clubes negociando os direitos individualmente, proporcionando cotas bem maiores para os grandes.

A direção da federação informou num comunicado sua decisão de "suspender de forma indefinida todas as competições de todas as categorias a partir do dia 16 de maio". "Ao mesmo tempo, mais uma vez, reiteramos nossa oferta de um diálogo entre a RFEF e o governo espanhol", completou a federação.

O novo decreto permitirá à Liga Espanhol (LFP) negociar os direitos como um todo com as operadoras, garantindo assim uma divisão mais equilibrada entre os times. - 'Ingerência' -A LFP também espera aumentar a arrecadação global com a venda desses direitos, hoje muito inferior à Premier League inglesa, que vendeu recentemente a transmissão de 2016 a 2019 por sete bilhões de euros, 2,3 por ano, contra 784,6 milhões do Campeonato Espanhol nesta temporada. O Real e o Barça levam praticamente a metade do bolo, 140 milhões cada, deixando apenas migalhas aos rivais.

Com o novo decreto, 90% do valor pago pelas operadoras seria revertido aos clubes de primeira e segunda divisão (90% e 10%, respectivamente). A repartição entre as equipes também está submetida a novas regras, com 50% do total dividido de forma equitativas, 25% em função dos resultados das últimas temporadas, e os 25% restantes de acordo com diversos aspectos, como o número de torcedores e a audiência gerada.

A principal crítica da federação é que o decreto "impossibilita a presença de colaboradores imprescindíveis na organização do futebol mais humilde", por deixá-la de fora das negociações, que seriam concentradas entre a LFP e as televisões. A RFEF também denuncia "ingerências contínuas do Conselho Superior dos Esportes", órgão governamental que vem atuando cada vez mais em assuntos ligados ao futebol.