"É evidente que se trata da maior investigação de todos os tempos sobre supostas manipulações de jogos", declarou o diretor da Europol, Rob Wainwright, em entrevista coletiva em Haia, afirmando também que o caso sacode a integridade do esporte no mundo todo. "É o trabalho de uma organização criminosa sofisticada, com base na Ásia e que trabalha com coordenadores em toda a Europa", explicou.
"A manipulação de resultados é uma ameaça real ao futebol que implica muita gente. Os benefícios ilegais ameaçam a situação geral deste esporte", avisou Wainwright. O diretor da Europol declarou também ter escrito ao presidente da Uefa, Michel Platini, explicando os resultados da investigação para que o futebol "tome nota e não baixe a guarda".
A denuncia da Europol afirma que a maioria das apostas ilegais foram feitas em partidas jogadas na Turquia, Alemanha e Suíça, mas jogos na América Latina, África e Ásia também estão sob suspeita. Jogos da Liga dos Campeões, um deles disputado na Inglaterra, e algumas partidas válidas pelas eliminatórias da Copa do Mundo também fizeram parte do esquema.
As autoridades policiais não informaram os nomes das pessoas envolvidas, mas apontaram especificamente para o jogo entre Argentina e Bolívia, no qual um árbitro húngaro marcou um pênalti duvidoso a favor dos argentinos. Os resultados da operação são expostos um mês após a Interpol declarar que a corrupção no futebol estava ajudando a impulsionar outras atividades criminosas como a prostituição, o tráfico de drogas e de armas, depois de vários escândalos.
A rede operava desde Cingapura, com apostas de 100.000 euros por partida, o que proporcionou ganhos de cerca de oito milhões de euros, de acordo com a Europol. O caso mostra "a verdadeira natureza deste problema horroroso", que provocou perdas econômicas às empresas legais de apostas e credibilidade aos clubes e jogadores, declarou o chefe da polícia de Bochum (Alemanha), Firedhelm Althans.
Ralf Mutschke, ex-diretor da Interpol que atualmente trabalha para a Fifa em questões de segurança, advertiu em 16 de janeiro que nenhum campeonato no mundo estava a salvo da corrupção, pedindo aos governos que endureçam as legislações e se unam para lutar contra essas práticas ilegais. O âmbito internacional deste problema ficou evidente no caso do empresário de Cingapura Wilson Raj Perumal, suspeito de manipular partidas em vários países e que está preso na Finlândia desde 2011 por ter subornado jogadores do campeonato deste país. Seu nome também apareceu em outros casos registrados na África do Sul e no Zimbábue, mas a Europol evitou vincular Perumal com a grande rede desmantelada nesta segunda-feira.
Outro caso de corrupção no futebol foi o "Calciocommesse", um escândalo de apostas ilegais na Itália, onde vários jogadores da primeira divisão foram detidos, afetando a preparação da seleção italiana para a Eurocopa de 2012. O chefe da Interpol, Ronald Noble, assegurou em novembro que um dos jogadores foi detido por causa de seu vínculo com o criminoso Tan Seet Eng. Quatorze pessoas já foram condenadas e novas sentenças são esperadas.