A apresentação de Dorival Junior como novo técnico do São Paulo foi a movimentação mais aparente de uma ampla reformulação no departamento de futebol para salvar a equipe da 19.ª e penúltima colocação no Campeonato Brasileiro. O auxiliar Pintado recebeu uma oferta para trabalhar com as categorias de base, em Cotia (SP), longe dos profissionais. O preparador físico José Mário Campeiz e o de goleiros, Haroldo Lamounier, foram demitidos.
A diretoria se apressou para informar que as mudanças já estavam previstas e que não têm relação direta com a chegada do substituto de Rogério Ceni. Pintado era auxiliar permanente do time principal há um ano e comandou a equipe na derrota para o Santos.
Conselheiros reclamavam que ele gostava de conversar com os atletas e passar a ideia de que era "parceiro". José Mário Campeiz vinha sendo criticado pelas constantes contusões dos atletas. Haroldo Lamounier foi preparador de goleiros de Ceni por 13 anos. Na semana passada, o auxiliar inglês Michael Beale havia pedido demissão.
Conversa com elenco e metas
Como tem sua própria comissão técnica - seu filho e auxiliar Lucas Silvestre e o preparador físico Celso Rezende -, Dorival Junior não se opôs ao afastamento de Pintado. Sua primeira medida como técnico foi uma conversa de 18 minutos com o elenco, longe da imprensa, no canto do gramado principal do CT da Barra Funda, na capital paulista. O treinador gesticulou bastante, mas usou tom moderado para explicar ao elenco o que fazer para interromper a série de sete rodadas sem vitórias.
Um dos seus desafios é recuperar as estrelas do time, especialmente Cueva e Lucas Pratto. Depois de ter sido afastado do clássico por decisão da comissão técnica, o meia peruano treinou normalmente. Dorival Junior afirmou que a sua obrigação é recuperar a motivação do camisa 10. Já o argentino não faz gols desde o dia 8 de junho e tem sido prejudicado, em boa medida, pela má fase do setor de criação.
Outra meta de Dorival Junior é contornar a saída de jogadores. Na entrevista coletiva, ele fez questão de valorizar o elenco, mas pediu o fim das conversas sobre entrada e saída de jogadores. Rodrigo Caio e Cueva são os principais alvos dos estrangeiros.
Sem planos para venda
O diretor de futebol, Vinicius Pinotti, afirmou que não pretende vender o zagueiro, mas fez a ressalva do pagamento da multa rescisória, o que colocaria o time em uma sinuca. Se isso acontecer, o jogador tem a palavra final. "O elenco é bom. Mas, dentro do possível, podemos reforçar. Temos de cessar essas conversas de chegadas e saídas, porque isso quebra a confiança de um grupo. Temos de olhar com carinho o que temos em casa", disse o treinador.
Isso significa que nomes como Shaylon, Lucas Fernandes e Brenner serão vistos com maior frequência na escalação do São Paulo nos próximos jogos. Outra missão: aproveitar a experiência que viveu no Santos para estreitar a relação com o centro de formação de Cotia e garimpar talentos.
No primeiro treinamento, nesta segunda-feira, ele não deu pistas de eventuais mudanças na escalação para a partida diante do Atlético Goianiense, pois comandou apenas os reservas - os titulares fizeram trabalho regenerativo depois da derrota para o Santos.
Por fim, Dorival Junior tem o desafio de reorganizar a equipe taticamente. Lucas Pratto afirmou que o time "joga bem apenas em alguns momentos". O segundo tempo do clássico deixou pontos positivos, como o poder de reação - o time fez dois gols e desperdiçou um pênalti - e a atuação dos jogadores que entraram durante a etapa e deixaram o time mais dinâmico.
Embora a sua passagem represente uma clara ruptura com a "gestão" de Rogério Ceni, o novo treinador afirmou que vai consultar o antecessor. "É um profissional que sempre foi exemplar, eu quero falar com ele. Não tive oportunidade na semana anterior, mas nos próximos dias, pela pessoa e profissional que ele sempre foi, pelo respeito que tenho por ele, vou conversar".
Dorival Junior elogia elenco do São Paulo e diz que conversará com Rogério Ceni
Desafio do novo técnico será recuperar futebol de Cueva e Lucas Pratto