O ex-técnico da Seleção Brasileira fez questão de afirmar que a sua não ida para o Inter neste momento não tem relação alguma com um suposto desentendimento com o novo diretor técnico colorado: “Fernandão foi um vencedor. Tenho maior admiração por ele como profissional e como pessoa. Tenho um ótimo relacionamento. Não é justo as pessoas atacarem, nos colocando no meio, deixando nós na linha de fogo direto. Quero que o torcedor colorado tenha consciência que não foi por esse motivo que eu não fui trabalhar no Inter”. O dirigente e Dunga, conforme o treinador, conversaram por telefone nesta quinta-feira, por volta do meio dia. “Expliquei toda a minha situação, das decisões que eu tomei. Estou muito tranquilo.”
Apesar de ter sido alvo de críticas no centro do País depois que a Seleção Brasileira foi eliminada da Copa do Mundo do ano passado, Dunga contou que viu seu trabalho valorizado com os convites recebidos neste ano. “Foi o meu primeiro trabalho como treinador e com todas as desconfianças, todas as situações, consegui fazer um bom trabalho com a minha equipe e é um sinal de respeito as pessoas te procurarem depois de todas as críticas”, observou ele, que, durante a entrevista, lembrou das conquistas da Copa América, Copa das Confederações e das vitórias sobre Argentina e Uruguai nos estádios dos adversários. “Por onde eu passei eu deixei a porta aberta.”
Dunga: “Quem joga no barro, joga no Maracanã também”
Dunga revelou que ficou chateado com a eliminação da Seleção Brasileira na Copa América. “Como brasileiro, vi a eliminação com tristeza, até porque muitos desses jogadores estavam comigo. Eu sei da seriedade deles, basta ver a declaração que o Lúcio fez, uma coisa que foi ganhando corpo. Ninguém esperava a desclassificação do Brasil pela qualidade”, disse. Mesmo considerando muito difícil, Dunga não descarta um retorno à Seleção Brasileira, sobre a qual fala com tom de admiração: “Não é você que escolhe, você é escolhido. Não tenho como fugir. Tenho que estar sempre pronto”.
Quanto à postura que os atletas devem ter ao vestir a camisa verde e amarela, Dunga – famoso pela garra quando era volante – recomendou que os convocados “vivam intensamente a Seleção” e criticou a necessidade da criação de novos ídolos, alertando que isso pode ser perigoso a atletas promissores. “Você não pode levar os meninos para dar satisfação a um ou outro e acaba atrapalhado o desenvolvimento deles. No dia que eu assumi a Seleção, eu falei: 'quem jogasse no barro, iria jogar no Maracanã também. Agora, quem quisesse só jogar no Maracanã, não'”.