O atrito na relação envolvendo a disputa da Crimeia já foi muito maior. Ele arrefeceu nas últimas semanas. A guerra, que antes parecia questão de tempo, já não é tão iminente. Mesmo assim, a situação pode piorar a qualquer instante, segundo analistas. A instabilidade é grande na região e a janela de transferências que se abre em julho pode incluir muitos negócios envolvendo Shakhtar Donetsk, Dínamo de Kiev, Dnipro Dnipropetrovsk e Metalist, entre outros.
“Vai depender das eleições do dia 25 e as suas consequências políticas. Porém, a situação deu uma acalmada. Se os jogadores forem sair, acredito que seja mais fácil a ida para equipes europeias por causa dos valores envolvidos”, salienta Frank Henouda, empresário especialista no mercado do Leste Europeu. Em 25 de maio, os ucranianos irão eleger o seu novo presidente para o lugar de Viktor Yanukovytc, destituído em fevereiro.
Os dirigentes brasileiros ficam à espreita de uma oportunidade. “O Brasil todo está de olho no mercado ucraniano”, afirma o diretor de futebol do Inter, Roberto Melo, que continua: “Depois da última rodada, as movimentações irão começar. Acredito que a maioria dos jogadores que estão lá já têm propostas de outros clubes da Europa, mas alguns sobrarão para o Brasil”. A temporada ucraniana encerra neste fim de semana. Nos próximos dias, os atletas retornam para passar as férias, alimentando ainda mais as especulações.
O conflito na região pode servir de justificativa para quem deseja voltar. “Pode ser utilizado como pretexto por quem não se ambientou. Não acredito que essa situação vá afetar diretamente o futebol. Jogador algum vai abrir mão dos valores que recebe lá”, salienta o executivo de futebol do Grêmio, Rui Costa. No entanto, não custa observar: “Monitoramos todos os brasileiros na Ucrânia. Mas disso para ter alguma coisa é um longo caminho”.
*Por William Lampert e Fabrício Falkowski