Em 2013, o Brasileirão promete ser um pouco diferente. Com a extensão da Copa do Brasil até o final de novembro, mais equipes entram com a força máxima desde as primeiras rodadas. Nos anos anteriores, muitos concorrentes iniciavam a disputa com reservas, em virtude dos mata-matas do torneio e da Libertadores. Agora, apenas Atlético Mineiro e Fluminense não devem utilizar os seus titulares nas primeiras rodadas por estarem nas quartas de final da competição sul-americana.
1 - Quem larga bem, chega na frente
Normalmente, o time que finaliza o primeiro turno na ponta de cima da tabela de classificação conclui a competição com a taça. No entanto, a regra foi quebrada justamente pela Dupla Gre-Nal. Em 2008, o Grêmio de Celso Roth fez grande campanha no primeiro turno, mas desandou no segundo e deixou escapar o título. O mesmo aconteceu com o Inter no ano seguinte. Sob o comando de Tite, os colorados fizeram a melhor campanha da metade inicial, mas não mantiveram o ritmo e terminaram em segundo lugar.
2 - Perdas e ganhos da janela
O Campeonato Brasileiro é dividido em dois: antes e depois da janela de transferências internacionais. O período é normalmente marcado por importantes alterações nas equipes, com alguns times perdendo força - pois vendem seus principais jogadores - e outros ganhando, mantêm e reforçam a base com atletas do Exterior. Inter e Grêmio devem ser afetados em 2013 com as saídas do centroavante Leandro Damião e do volante Fernando. E estas podem não ser as únicas vendas.
3 - A manutenção do técnico é (quase) fundamental
Os campeões começam e terminam com o mesmo técnico. Foi assim em 2003 (com Luxemburgo, no Cruzeiro), 2006, 2007 e 2008 (todos com Muricy Ramalho, no São Paulo), 2010 (de novo com Muricy, desta vez no Fluminense), 2011 (com Tite, no Corinthians) e 2012 (com Abel Braga, no Fluminense). Mas, como todas as regras, há exceções. Em 2004, Luxa assumiu o Santos nas primeiras rodadas e acabou com o título. No ano seguinte, o fenômeno repetiu-se com Corinthians, que não começou, mas terminou com Antônio Lopes. Em 2009, o título caiu no colo de Andrade, no Flamengo.
4 - É preciso investimento e um grupo numeroso
São 38 rodadas ao longo de nove meses. São muitos jogos, muitas lesões, muitas suspensões, enfim, problemas em profusão. Mesmo que mantenha uma base, a equipe campeã viverá uma alternância natural de formação, fruto não só das convicções de seus treinadores, mas também dos desfalques. Por isso, um campeão brasileiro na fórmula dos pontos corridos invariavelmente possui um grupo numeroso e de qualidade - além de oneroso. Ao contrário do mata-mata, o campeão brasileiro pós-2003 investe pesado na manutenção do elenco de jogadores.
5 - O fator local influencia nas duas pontas da tabela
O fator local costuma ser fundamental tanto na ponta de cima da tabela de classificação como na zona da degola. Primeiro, foram os cariocas que sofreram com o Maracanã fechado para as obras para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Naqueles anos, Flamengo, Botafogo e Fluminense brigaram quase sempre para não cair. O mesmo ocorreu no começo da década com os times mineiros. Sem o Mineirão, Atlético-MG e Cruzeiro sofreram. O problema ameaça o Inter, que não deve ter o Beira-Rio, em reformas para a Copa do Mundo, antes do final da temporada.
6 - O campeão geralmente é liderado por um craque
Ter um craque que decida não é sinônimo de sucesso nos pontos corridos, porém a maioria dos campeões tinha um jogador diferenciado do meio para a frente. Logo no primeiro ano de disputa desta fórmula, o Cruzeiro levou o título muito pelas atuações de Alex. Em 2004, foi a vez do Santos se beneficiar de Robinho. Na temporada seguinte veio o Corinthians, conduzido por Tévez. No ano passado, Fred foi a grande estrela do Fluminense na conquista do Brasileirão. Uma das exceções é o Corinthians de Tite, em 2011. O grande trunfo daquele time era o conjunto formado pelo treinador.
7 - Há pouco espaço para as zebras
O mata-mata abre espaço para as equipes menores surpreenderem os favoritos. No Brasileirão de pontos corridos, dificilmente as zebras aparecem. O poder de investimento limita a aparição de uma equipe fora dos 12 grandes do futebol nacional.
A ponta de cima normalmente é preenchida pelos times do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A única equipe de fora destes estados que conseguiu brigar pelo título foi o Atlético-PR, em 2004, terminando atrás do Santos.
8 - O rebaixamento não vê camisa
A bola é cruel e não perdoa os grandes no Campeonato Brasileiro. Periodicamente e com uma rotina que aconselha o cuidado, um dos gigantes do futebol nacional é rebaixado para a segunda divisão do ano seguinte. Aconteceu com o Grêmio em 2004, o Atlético Mineiro em 2005, o Corinthians em 2007, o Vasco em 2008, e, finalmente, o Palmeiras no ano passado. Inter, Cruzeiro, Santos, Flamengo e São Paulo jamais foram rebaixados, incluindo as edições do Brasileiro entre 1971 e 2002.