Esportes

É possível aprender a surfar em um veraneio?

Especialistas explicam que é possível brincar com a prancha mesmo com poucas aulas, independentemente de biotipo ou de idade

O investimento em uma aula avulsa de surfe no Rio Grande do Sul varia de R$ 100 a 600. Escolas também oferecem pacotes.
O investimento em uma aula avulsa de surfe no Rio Grande do Sul varia de R$ 100 a 600. Escolas também oferecem pacotes. Foto : Mauro Schaefer

Para muita gente, o verão desperta um antigo desejo: o de surfar, nem que seja apenas uma vez na vida. Para muitos “ratos de praia”, basta ouvir o cantor Armandinho que o desejo de subir em uma prancha reaparece. Mas como realizar essa vontade em uma rotina na qual mal dá para cumprir as obrigações, quanto mais tirar uns meses para aprender um novo esporte? O Correio do Povo colocou o sonho à prova: será que dá para aprender a surfar em uma temporada de veraneio?

“Aqui na nossa escola praticamente todo mundo surfa na primeira aula”, garante Jader Vieira, fundador e professor desde 2005 da escola Primeira Onda. Localizada em Tramandaí, a escola segue a filosofia de que, independentemente do preparo, biotipo e idade, o surfe é para todos.

Dentro dessa lógica, uma das primeiras dúvidas que surgem quando se quer praticar um esporte em alto mar é: eu sei nadar? Na escola de Jader, não há essa exigência, até porque, segundo ele, o professor sempre está ao lado, acompanhando cada passo do aluno. Então, para quem quer curtir uns dias de surfe no litoral gaúcho, já é um empecilho a menos.

Para Felipe Raupp, que atua desde 1984 como professor da escola que leva o seu nome em Torres, na praia dos Moles, um dos riscos a que os iniciantes mais se expõem é entrar no mar sem conhecê-lo. “O aluno precisa aprender a medir a qualidade do mar, entender o que ele está proporcionando para o teu surfe no momento”, explica. Por isso, nas primeiras aulas, os alunos aprendem como ler o mar, entender os pontos cardeais, a ambientação aquática e também as questões de condicionamento mental.

Existem diferentes modalidades dentro do surfe segundo Raupp, por isso, é preciso descobrir qual é o objetivo do aluno: “Há o surfe recreativo, o competitivo, o profissional e o por hobby”. Normalmente, quando os veranistas os procuram, os professores aplicam o último. Todas as modalidades ensinam as técnicas básicas de orientação marítima e de segurança dentro do mar.

O que se aprende em uma semana de surfe

De acordo com os professores, com cinco aulas já dá para brincar com a prancha no mar. Tanto na escola de Tramandaí quanto na de Torres, há pacotes de curto prazo: cinco ou dez aulas — também são oferecidas aulas avulsas. Cada aula tem uma hora e meia de duração.

Segundo o professor de Torres, esse é um tempo adequado para que o aluno possa aprender, tirar dúvidas e descansar. Para os iniciantes, ambos destacam que existe uma estrutura adaptada, com o uso de pranchas mais largas para facilitar o equilíbrio de quem está começando.

O segredo é saber escolher a estação e o horário corretos

Segundo Jader e Felipe, as ondas mais indicadas são as do mar de outono. “É quando temos um mar liso, perfeito para surfistas iniciantes e intermediários”, explica Jader. Entre os meses de março e junho é quando o vento terral aparece — um vento que não costuma oferecer riscos aos surfistas. Felipe complementa destacando que o melhor horário para surfar é de manhã até as 10h ou a partir das 16h30 até o entardecer, quando a intensidade do vento diminui. Já o melhor clima está entre fevereiro e maio, período em que há menor presença de ventos.

Mas por onde começar?

Para aprender um esporte novo com segurança e qualidade, o indicado é procurar uma escola credenciada no Conselho Regional de Educação Física (CREF). Além disso, segundo Felipe, durante os treinos é importante não deixar a ansiedade atrapalhar o aprendizado e a evolução. O treinador da praia dos Moles lembra que o surfe é o único esporte em que se passa quatro horas seguidas dentro do mar sem se preocupar com fome ou sede.

“Quando estamos dentro d’água, não podemos pensar em mais nada. Ali, somos obrigados a viver o presente, a estarmos atentos; se não, a onda te pega”, salienta. Ou seja, sendo criança, adulto ou idoso, o importante é viver o presente e não deixar de fazer aquilo que ainda se tem vontade.

*Com supervisão de Carlos Corrêa

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