As brigas começaram logo após o apito final, quando o clube de Manuel José, o Al-Ahly, um dos melhores do país, perdeu por 3 a 1 para o Al-Masri, outra equipe da cidade de Port-Saïd, sofrendo sua primeira derrota da temporada nesta partida válida pela 17ª rodada do Campeonato Egípcio. Um fotógrafo da AFP que presenciou as cenas de violência relatou que torcedores do Al-Masri atiraram pedras, garrafas de vidro e foguetes no setor reservado aos fãs do Al-Ahly.
"Parecia guerra", relatou Mohammed Abu Trika, um dos jogadores do time do Al Ahly, que escapou ileso da tragédia ocorrida durante a partida contra o Al Masry. "Não havia ninguém para nos proteger", acusou o meia Mohamed Barakat.
Irmandade Muçulmana acusa simpatizantes de Mubarak
A Irmandade Muçulmana acusou simpatizantes do ex-presidente Hosni Mubarak de serem responsáveis por estes confrontos. "Os eventos de Port-Saïd foram premeditados e são um recado dos partidários do antigo regime", afirmou o deputado Essam al-Erian num comunicado publicado no site do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), formação política da Irmandade Muçulmana.
Essam al-Erian declarou que a Assembleia do Povo, cuja maioria dos membros está ligada à Irmandade Muçulmana, pretende pedir ao Ministro do Interior e aos responsáveis pela segurança do estádio de "assumir plenamente suas responsabilidades". O presidente da Assembleia do Povo, o islamista Saad al-Katatni, anunciou que a Câmara dos deputados se reunirá nesta quinta-feira para discutir a respeito destes eventos.
As autoridades egípcias também relataram um incêndio em outra arena de futebol, o estádio Nacional de Cairo. O fogo foi controlado, mas a partida entre o al-Zamalek e o Ismaïly foi cancelada.
Aviões militares foram recrutados após incidentes
Aviões militares foram enviados a Port Said para levar torcedores e jogadores do Al Ahly de volta para a capital Cairo. Diante do "maior desastre da história do futebol egípcio", conforme disse o ministro da Saúde, Hesham Sheiha, os jogos do campeonato nacional foram suspensos por tempo indeterminado e o Parlamento convocou uma reunião emergencial sobre o caso.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, também já se manifestou sobre a tragédia, dizendo estar "muito chocado e triste" com a notícia e mandando suas condolências aos familiares das pessoas que morreram em Port Said. "É um dia negro para o futebol. Uma situação catastrófica como essa é impensável e não deveria acontecer", afirmou o dirigente suíço.
Assista a invasão e os conflitos dentro do gramado: