Após a vitória na terceira rodada do qualifying do Aberto da Austrália foi o próprio perfil do torneio quem avisou: 'Alguém para ficar de olho'. Este alguém é o brasileiro João Fonseca, atualmente a sensação do tênis mundial. Neste final de semana o carioca irá debutar na chave principal de um Grand Slam. O sorteio do adversário não lhe foi favorável, o que só aumenta a expectativa pela sua estreia na quadra azul de Melbourne. O horário da partida ainda não foi divulgado pela organização da competição.
Para ajudar a entender qual a real situação de quem desperta tão cedo tanta atenção no circuito do tênis, o CP quis ouvir especialistas do assunto: Fernando Roese, ex-tenista e técnico de tênis, e Fernando Nardini, narrador da ESPN e apresentador do programa Pelas Quadras.
A dupla de Fernandos acompanha o jovem tenista. Nos últimos dias ele faturou cerca de R$ 4 milhões em prêmios e levantou os troféus de Next Gen ATP Finals, torneio de atletas até 20 anos e que já foi erguido por Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, e faturou também em solo australiano na semana passada o Challenger de Camberra. Ou seja, o brasileiro chega embalado para um enorme desafio pela frente. Confira o que Roese e Nardini têm a falar sobre ele.
O João Fonseca está te surpreendendo o desempenho do João?
ROESE: Surpreendendo não está. Sempre foi um menino que chamou muito a atenção. A surpresa está na forma como ele está encarando tudo isso com muita serenidade. Mostra que tem pessoas ao lado dele que o estão o deixando com o pé no chão e essa tranquilidade. E a maturidade é o que surpreende. O tênis dele vem evoluindo desde pequeno quando já mostrava talento.
NARDINI: Não, mas não esperava que fosse tão rápido. É mais difícil manter a pegada depois de ganhar, depois de vencer um torneio. Ele está com 13 vitórias seguidas e é esse o desafio no circuito e mais ainda para alguém da idade dele. Ele adquiriu essa maturidade. Está muito legal dele.
O que chama mais a atenção no jogo dele?
ROESE: É a tranquilidade nos momentos importantes e como cresce nessas horas. Isso mostra que é um cara diferenciado. Não basta jogar bem tênis, é preciso saber administrar a pressão e crescer na decisão. Joga muito rápido e se mexe muito bem também. A maioria das vezes está bem postado pra bater nas bolas. Está difícil ver um furo nele, pois ele joga muito rápido com a esquerda e com a direita. Saca bem, é um jogador que se adapta ao tênis de hoje, agressivo.
NARDINI: Primeiro que é um cara extremamente agressivo. Ele bate muito forte na bola, saca muito bem. Ele é um cara do tênis moderno. O comparam com o Sinner, que é o atual melhor do mundo, mas é claro, faltam muita coisa. Falta adquirir mais maturidade, mais conhecimento etc. Agora ele vai jogar pela primeira vez em cinco sets e isso muda totalemnte o cenário que ele vai descobrir.
Ele pegou no sorteio o Andrey Rublev, top 10 . Tem que desfrutar ou ele tem condições de surpreender e vencer?
ROESE: Acho que ele está desfrutando bastantes. A gente percebe que ele gosta de jogar tênis. Leva para o lado bom a questão da pressão e isso é difícil de lidar. Esses caras diferenciados suportam tudo isso. Ele cria as expectativas e vai resolvendo aos pouquinhos. Parece muito centrado, mas vai para ganhar. Com certeza o Rublev vai estar atento porque é um menino de quem se está falando há algum tempo. É um jogo perigoso para o russo ate porque os favoritos nas primeiras rodadas encaram quem vem solto e invicto. O João vai querer ganhar e deve acreditar nisso.
NARDINI: Sim, ele pode surpreender porque o Rublev é um cara que não vem bem. Ele tem chance sim, mesmo contra o número 9 na primeira rodada.
Está cedo para tratar ele como fenômeno? Tem muito feijão que comer ainda?
ROESE: Não é cedo não. Já mostrou a todos que é um menino diferenciando. Pela idade e pela maneira que já conquistou algumas coisas não deixa de ser um fenômeno. Ele está crescendo e tem méritos da família, da equipe dele também. Acredito que tem muito chão pela frente e é preciso cuidado. Pode ser perder no caminho, mas tem tomado decisões certas também no calendário. Tem muita gente de olho nele.
NARDINI: Sim, é precipitado. Óbvio que tem potencial para ser gigante, mas é um mundo muito muito competitivo. Eu fico feliz que ele está muito bem cercado, muito bem blindado pelo time e pelos pais. Ele é um combo de tudo que se tem de melhor, mas há que se pagar um preço caro para estar entre os melhores do mundo nessa modalidade. Ele está no caminho.