Esportes

Estudo revela que mais de mil partidas de futebol podem ter sido manipuladas

Uefa encomendou levantamento, que estudou cerca de 40 mil jogos

Uefa, comandada por Platini, fez pedido de levantamento
Uefa, comandada por Platini, fez pedido de levantamento Foto : Christophe Simon / AFP / CP Memória
A credibilidade da elite do futebol está em jogo. Principal empresa de monitoramento de apostadores no esporte, a Sportradar investiga aproximadamente mil partidas que podem ter tido seus resultados manipulados no mundo desde 2009. Contratada pela Uefa, ela diz que o número não inclui o Brasil, que é taxado como um país de alto risco no que tange à manipulação de resultados.

Segundo o jornal Estadão, 40 mil jogos foram observados pelos especialistas da empresa. Desse montante, mais de 1,4 mil foram considerados suspeitos. A Sportradar classificou 997 partidas como “altamente suspeitas”, e o problema maior é que elas tenham sido compradas por apostadores que, cientes do placar, faziam aplicações milionárias em casas de apostas da Ásia.

O estudo mostra um dado alarmante: as ligas inferiores não são as mais atingidas. Suspeita-se que a manipulação é feita três vezes mais intensamente nas divisões de elite. Do total, 78% dos casos registrados são de partidas das primeiras divisões.

E o levantamento vai além: 88% dos casos são de jogos de campeonatos nacionais na Europa, América do Norte, Ásia e Oceania; 6% seriam de duelos internacionais de clubes e outros 6% envolveriam seleções. Menos de 1% seria proveniente do futebol feminino ou categorias de base.

A empresa não fez o levantamento no Brasil porque, segundo o Estadão, a CBF ou alguma federação não fez o convite para a realização de uma análise da situação. Apesar disso, o país entra na seara dos locais de “risco”. A justificativa é que nas casas de apostas da Ásia há possibilidade de se colocar um montante de dinheiro em jogos da segunda divisão de São Paulo, por exemplo. Ao mesmo tempo, os clubes estão com dívidas, o que poderia agregar elementos para a atuação de grupos criminosos, comprando árbitros e jogadores.