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Eterno vice, Stirling Moss dá conselho para Rubinho

Apontado como piloto mais rápido do mundo no fim dos anos 50, ele teve sete chances de ser campeão, mas acabou com quatro vice-campeonatos

Ninguém na história da Fórmula 1 perdeu tantos títulos quanto o inglês Stirling Moss. Apontado como piloto mais rápido do mundo no fim dos anos 50, ele teve sete chances de ser campeão, mas acabou com quatro vice-campeonatos e três terceiros lugares, entre 1955 e 1961. Durante seu auge, Moss chamava a atenção por sua velocidade, mas não tinha a constância de Juan Manuel Fangio e Jack Brabham, seus principais adversários.

Mais de meio século depois, a história de um piloto que parece condenado aos vice-campeonatos volta a se desenhar. O GP do Brasil, no domingo, pode dar o título da Fórmula 1 ao inglês Jenson Button, tirando mais uma vez a chance de Rubens Barrichello ser campeão - o brasileiro já foi vice em 2002 e 2004. Para Moss, Rubinho tem potencial para ser campeão. Mas precisa de um desempenho perfeito em Interlagos e Abu Dabi.

"Ele deve pilotar como sempre fez: rápido, mas com a devida cautela. E, se tiver uma oportunidade, não pode deixar de aproveitá-la", disse o inglês de 80 anos, ao aconselhar o brasileiro para a disputa do GP do Brasil, que acontece domingo, em Interlagos. Segundo Moss, os três pilotos que ainda brigam pelo título na atual temporada - Button, Barrichello e o alemão Sebastian Vettel - merecem entrar na lista de campeões da Fórmula 1.

"Se Button conquistar o título, e acho que vai conquistar, será merecido. Também acho Barrichello muito competente. E, com um carro certo, uma estratégia boa e apoio da equipe, ele pode ser campeão. Vettel, por sua vez, é um dos melhores pilotos da atualidade, ao lado de Hamilton e Alonso", avaliou o inglês.

Mesmo sem ter sido campeão na Fórmula 1, Moss conquistou o respeito de todos os adversários, tendo uma carreira de sucesso também em competições de carros esporte. Ele aposentou-se aos 39 anos, em 1962, depois de um grave acidente no circuito de Goodwood, na Inglaterra. E, sem ressentimentos, garante que a falta de um título da Fórmula 1 no currículo não incomoda.

"Não, não sinto falta do título. Já naquela época, depois de um ano ou dois, eu deixei de me importar. Eu tinha o respeito dos outros pilotos e era considerado o mais rápido, então passei a correr apenas para vencer as corridas. Infelizmente, os carros naquela época eram muito frágeis, então havia muitas quebras. Participei de 319 corridas entre 1954 e 1962 e terminei apenas 236. Mas, em compensação, venci 137 delas, mais da metade", contabiliza o inglês, somando sua participação em outras categorias.

O dono de quatro vice-campeonatos da Fórmula 1 jamais conseguiu desligar-se do automobilismo. Depois que parou de correr, teve equipe na Fórmula Ford, participou de eventos de automobilismo histórico e distribuiu uma coleção de opiniões polêmicas. "A Fórmula 1 virou um grande negócio, não é mais um esporte. Basta ver o que fizeram no GP de Cingapura de 2008", afirmou Moss, entrando no mais recente escândalo da Fórmula 1. "Não entendo como um piloto pode fazer aquilo. E menos ainda como alguém pode ordenar que um piloto bata de propósito!"

Apesar das críticas, ele revela que a paixão pela categoria continua. "Eu assisto todas as corridas pela TV, não perco uma", contou o inglês. Talvez as críticas de Moss guardem, sim, um certo ressentimento por nunca ter sido campeão. Mas, se a Fórmula 1 deixou de dar um título ele, a Rainha da Inglaterra não perdeu a oportunidade. Pelos serviços prestados ao automobilismo do país, Moss tornou-se Sir, como Oficial da Ordem do Império Britânico. Um título para poucos.